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10
nov

Cientista que virou mãe: plataforma empodera mulheres com conteúdo independente e de qualidade

Por: Mariel Ramos

Eu terei 3 minutos pra falar pra 1000 pessoas no CIC (Centro Integrado de Cultura). Não consigo pensar em outra coisa. O que eu farei desse mísero tempo? No contexto histórico brasileiro em que estamos? Sendo uma mulher e tendo gerado uma mulher para o mundo? Vendo amigas serem desrespeitadas por pessoas de gênero diferente apenas porque está difícil aceitar que os tempos da equidade chegaram? O que eu vou fazer de 3 míseros minutos?

Eu sei o que eu vou fazer. Vou honrar minhas amigas, minha família, minha filha.

O trecho acima, retirado de um post no Facebook, já dá uma pista do comprometimento de Ligia Moreiras Sena com a causa das mulheres e meninas. A trajetória de luta e ativismo vem de tempos atrás. Desde 2010, quando resolveu abandonar a carreira de 15 anos na área de farmacologia e neurociência para focar na saúde coletiva de mulheres mães. E com certeza tudo o que ela tem pra dizer vai muito além de 3 minutos. É compartilhado diariamente na plataforma Cientista que virou mãe, projeto finalista do SGB Lab 2015.

Ligia e Clara

A maternidade foi a virada de chave na vida de Ligia. Ao se ver grávida de Clara, que hoje tem 5 anos, novas questões surgiram em sua vida. Questões para as quais o conteúdo disponível na internet não oferecia respostas ou conforto. Resolveu escrever. Conforme ia vencendo os novos desafios e descobrindo este novo universo, com a parceria da amiga Nani Feuser, sem a qual o projeto não existiria, criou o blog Cientista que Virou Mãe.

As duas contaram com o poder da web para começar a amizade que virou parceria. Em 2009, Nani era uma aluna de mestrado grávida. Foi para a internet em busca de informações sobre um universo desconhecido para ela até então: o da maternidade. Encontrou um blog chamado IntensAmente, escrito por uma outra pesquisadora que passava pela mesma situação: “igualmente grávida, igualmente se deparando com uma diversidade enorme de dilemas, pesquisando e refletindo a maternidade de um modo único, genuíno, que fazia muito sentido para mim, que fazia com que eu sentisse que não estava só”. Essa pesquisadora era a Ligia.

Já com a Lelê, sua filha, nos braços, resolveu entrar em contato. Como a Clara estava prestes a nascer, enviou um email pedindo para que ela não achasse loucura uma pessoa que ela nunca viu na vida querendo enviar presentes, mas que como roupinhas de bebê deixam de servir na velocidade da luz, ela queria (com muuito carinho) que essas roupinhas fossem da Clara.

A Ligia não achou loucura. E convidou a Nani para participar do chá de bebê. A Nani também embarcou na ideia. Viajou da cidade vizinha onde morava até Florianópolis. Foi ali que, além de duas meninas incríveis, nasceu uma rede de empoderamento, um blog de sucesso e uma grande amizade.

Hoje, o blog virou uma plataforma. Plural em vozes, mas único em missão: empoderar as mães através de informação independente e de qualidade.

São mais de 30 escritoras cadastradas como colaboradoras. Tem total liberdade para escrever sobre temas que julgam relevantes. Elas cadastram o título e o resumo da matéria na plataforma e as leitoras escolhem os textos que querem ler. Para isso, dão uma contribuição voluntária de, qualquer valor, para ajudar a manter o site e quem produz o conteúdo. Como em um crowdfunding, quando o valor mínimo para aquele texto é atingido, ele é publicado.

A colaboração vai além das finanças. Qualquer leitora pode fazer um cadastro para sugerir temas sobre os quais deseja ler. Quando há muitas solicitações sobre um mesmo assunto, é decidido internamente se alguma das colaboradoras topa escrever sobre ele.

Esta mãe, cientista, escritora e empreendedora social paulista radicada em Florianópolis, irá apresentar o pitch da sua inciativa para o público do Seminário SGB 2015 no dia 12 de novembro. Ela está concorrendo ao fundo de investimento semente para investir na iniciativa.

Cientista que virou mae

Você pode assistir a apresentação da Lígia e dos outros cinco finalistas do Social Good Brasil Lab  clicando aqui.

ATUALIZAÇÃO: A plataforma Cientista que Virou Mãe ganhou, em primeiro lugar, o prêmio de investimento semente que possibilitou a iniciativa decolar. Se você enxerga problemas sociais e tem uma ideia para resolvê-los, seu lugar é no SGB LAB 2016. Inscrições abertas até 17/04.
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