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09
nov

Projeto Praças: Urbanista estimula moradores a darem vida nova aos espaços públicos

Por: Bibiana Beck

Marcelo RebeloPaixão por espaços públicos e muita desolação ao ver uma praça degradada, um local que é de convívio social por excelência. É isso o que Marcelo Rebelo de Moraes sempre sentiu. Pensar – e fazer –  da cidade um lugar melhor para se viver acabou sendo natural para ele, que escolheu o urbanismo como profissão e a revitalização de praças como centro do seu projeto de vida.

Desde bem pequeno, Marcelo viajou bastante. Conheceu várias cidades do mundo e muitas maneiras de como planejar um bairro, guardando as melhores experiências. “Uma coisa que me impressionava desde moleque é como a grama era bem cuidada em cidades europeias, bem verde e bem cortada. Eu voltava para o Brasil e via canteiros destruídos”.

Essa realidade ficava martelando na sua cabeça e as boas escolhas feitas por outras pessoas em outros lugares também, ao mesmo tempo em que o interesse por questões sociais aumentava, por isso participou de programas de convivência internacional de jovens pela organização CISV.

Depois de formado em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie, trabalhou como servidor público na Prefeitura de São Paulo na área de Habitação de Interesse Social e Urbanização de Favelas, em Heliópolis, e com o tempo passou a coordenar o Projeto Heliópolis. “Gosto de pensar a cidade, e urbanizar é criar espaços públicos, melhorar as ruas, criar praças. Sempre quis fazer com que a profissão fizesse algum sentido”.

Marcelo saiu do emprego, mas para continuar criando ainda mais sentido no que faz. Criou o Projeto Praças, negócio social que revitaliza praças degradadas e abandonadas de forma colaborativa com os moradores do entorno. E foi no SGB Lab que aprimorou a ideia e é um dos seis finalistas desta edição. O Praças também ficou em segundo lugar no Choice UP, programa de pré-aceleração de negócios sociais da Artemísia.

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Tendo uma praça escolhida para receber o projeto, os moradores do bairro são convidados para participar do processo de revitalização. Os interessados se cadastram no site como “amigo da praça”. Os “amigos” participam de um processo de cocriação da praça de forma online, numa espécie de audiência pública, onde dão ideias para a praça e interagem entre si. O projeto entende quais são as maiores demandas, faz a articulação para aprovar na prefeitura e busca um financiador para custear. Além disso, o projeto se responsabiliza pela gestão e manutenção da praça após o processo de revitalização.

Para se manter, o projeto tem diversas parcerias e utiliza a legislação de Adoção de Praças, que permite que pessoas ou empresas possam fazer a manutenção e conservação de uma praça ou área verde. No modelo atual, uma empresa faz o acordo com a prefeitura e subcontrata uma empresa de jardinagem. “Dentro de nosso modelo, a empresa contrata nosso projeto, e a jardinagem passa a ser apenas um item de nosso serviço, pois somos um gestor de espaços públicos como um todo, onde realizamos a gestão de comunidade de moradores e realizamos eventos e melhorias de forma colaborativa“, explica.

Marcelo, que é também Secretário Executivo do Conselho Brasileiro de Lideranças em Placemaking e coordenou o curso de pós-graduação “Habitação e Cidade” pela Escola da Cidade, não costumava brincar na praça quando pequeno e essa é a realidade de muitas crianças nas grandes cidades. “Hoje São Paulo não propicia o aproveitamento dos espaços porque eles estão degradados. E é uma coisa tão boba. As cidades não permitem brincar. Meu maior sonho é conseguir dar a mesma qualidade de praça tanto pro bairro mais rico quanto pro bairro mais pobre”.

No projeto, as pessoas podem indicar uma praça para ser revitalizada e se tornarem voluntárias divulgando a ideia, botando a mão na massa junto, conforme seu tempo e suas habilidades, ou financiando a reforma.

Toda essa experiência ele vai contar no Seminário SGB e concorrer a um capital semente para o negócio, e você também pode acompanhar ao vivo e online.  
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