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19
maio

Sonia Hess: conheça a empresária que transformou a Dudalina e hoje é mentora de projetos de impacto social

Por: Mariel Ramos

Há 59 anos, nascia na cidadezinha de Luís Alves/SC o que seria uma das maiores empresas do país: a Dudalina. Por trás da dela, uma grande mulher – ou melhor, duas. Conheça a história de Sônia Hess, filha do seu Duda e da dona Adelina, considerada hoje a 6ª mais poderosa do país pela Revista Forbes.

No interior de Santa Catarina, seu Duda e dona Adelina mantinham uma loja de secos e molhados para dar sustento aos 16 filhos. Seu Duda, trabalhador e muito poeta, nunca teve muito dinheiro e presenteava seus filhos com o que escrevia. O espírito empreendedor vinha de Dona Adelina e se manifestou quando fizeram uma compra exagerada de tecido – ali estava uma oportunidade. Foi então que, juntando seus nomes, surgia a fábrica de camisas Dudalina.

sonia hess criança

Sonia Hess quando criança – arquivo pessoal

Duas filhas se envolveram na parte de costura e Sonia, ainda criança, acompanhava tudo de perto: o crescimento da empresa e todo o sonho, que começou abastecendo a região do Vale do Estado e acabou tornando-se a maior fábrica de camisas da América do Sul. Uma cultura empreendedora se instalava na família e os filhos começavam a se envolver nos negócios. Porém Sônia, ainda não: com 17 anos foi estudar na Espanha e depois de 3 anos a empresa na qual trabalhava a convidou para levar a tecnologia de confecção para Minas Gerais, onde morou por 7 anos. O espírito empreendedor se manifestava mais uma vez e, com isso, o desejo de mudar e montar algo.

Sonia precisava recomeçar e, entre tantas trocas de empresa, resolveu morar em São Paulo. Os novos ares fizeram os irmãos terem uma grande ideia para expansão dos negócios: trabalhar o mercado da Dudalina por lá, onde concorreria com grandes empresas. Foi quando em 1948, Sônia Hess decidiu voltar para a Dudalina e para tudo o que ela representava – o contato com a cidade natal onde ficava a fábrica e o convívio com seus irmãos agora sócios. Em 2003, um deles resolveu largar a presidência e todos concordaram que Sônia era a pessoa mais adequada, menos ela: “Eu não me sentia preparada, mas assumi porque a empresa estava ali e precisava dar continuidade a um sonho”, conta.

O grande sonho sofreria rupturas violentas cinco anos depois com a morte da sua mãe. Sonia recorda que de repente viu a família dividida em 16, pois além de irmãos eram sócios. Lidar com a perda da grande mulher não foi uma tarefa fácil, mas mesmo assim Sônia aprendeu na prática e compartilhou com o grupo de mulheres reunidas no CIA Acate Primavera naquela tarde em que passou por Florianópolis:

“COMECE SUA EMPRESA FAMILIAR JÁ COM UM ACORDO DE ACIONISTA E, DESDE O COMEÇO, CONSTRUA UM PEQUENO CONSELHO CONSULTIVO, DE MENTORIA, PARA TER UMA BASE MAIS ESTRUTURADA DE GOVERNANÇA.”

A grande mudança aconteceu em 2010, quando lançaram a linha feminina de camisas Dudalina, conhecida no mundo inteiro. Em 2012 foi o auge da empresa, onde Sônia viu que estava no radar, que muitos a procuravam, mas que mesmo assim tinha que acompanhar cada passo de perto. Foi também o ano mais complexo de sua vida, pois descobriu o câncer de mama. Relembra que mesmo tendo profissionais que ajudavam na administração, ainda assim era ela que precisava lidar com aquilo e continuar à frente.

“FOI O ANO MAIS DIFÍCIL MAS TAMBÉM O MAIS FANTÁSTICO, DE MUITO APRENDIZADO DE VIDA. QUANDO ACONTECE ALGO ASSIM, VOCÊ TEM QUE SUPERAR, NÃO DÁ PRA TERCEIRIZAR.” 

No mesmo ano começaram as negociações de venda da empresa, concluída em outubro de 2013. Depois da fusão da Dudalina com o grupo Restoque, Sônia continuou como acionista, onde era a única mulher, mas logo percebeu que aquela função não era para ela e decidiu sair.

Um dos projetos começados por ela na empresa foi o Instituto Duda e Adelina, que utiliza tecidos que seriam descartados para transformar em sacolas, além de gerar emprego e renda para mulheres no Sertão. A instituição recebe retalhos, que são cortados em quadradinhos e às vezes até falta, pois o projeto cresceu.

Outra história lembrada pela empresária é da Dona Jeci, faxineira da empresa que estranhou quando recebeu o PPR, dizendo que era uma simples faxineira. Sônia a surpreendeu dizendo que cada uma tinha sua função, mas que ela era importante para a empresa também e por isso ganhava aquela contribuição. A mulher que mal sabia escrever usou o dinheiro para reformar a sua casa. Segundo Sônia, era muito comum entre as costureiras que os maridos utilizassem aquele dinheiro, por isso ela mudou a data de pagamento do benefício, transformando o dia em uma grande festa para as mulheres – e a economia da cidade, pois elas eram livres para ir às compras e usar como quisessem.

Sem ter que se preocupar em comandar a Dudalina, hoje Sônia é jurada do Prêmio Cartier Women’s, que já teve entre as vencedoras e empreendedora Bel Pesce (a única brasileira em 10 anos). Quando a presidente da Pommery, marca organizadora do prêmio, a convidou para participar, Sônia imaginou que o convite estava sendo feito para a pessoa errada, pois ela não fala nada de inglês. Em vez de desistir, ela sugeriu a participação de uma amiga, hoje com 72 anos, que fala várias línguas fluentes. O resultado? Não poderia ter dado tão certo. Há 6 anos Sônia é jurada e leva junto a sua “sussuro translater”, tradução em suas palavras para a amiga que narra em tempo real todas as conversas. Aliás, no Prêmio é onde as sacolas Duda e Adelina ganharam o mundo. Durante a realização do evento, toda a cidade fica colorida com os retalhos produzidos pelas mãos das brasileiras que antes não tinham renda.

Além do Prêmio, Sônia se dedica ao terceiro setor com mentoria voluntária à empreendedoras. Para ela, agora é o momento de retribuir tudo o que aprendeu durante a sua trajetória e contribuir com quem está começando. E por isso, aceitou nosso convite para conversar abertamente com empreendedoras sociais sobre os desafios dessa jornada. Agradecemos de coração à tarde inspiradora! 

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Sonia Hess em nosso encontro com mulheres empreendedoras, em Florianópolis

 

 

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