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26
jan

PorQueNão? Casal em expedição pelo Brasil busca alternativas inteligentes para um mundo melhor

Por: Bibiana Beck

Quem vê Viviane Noda, de 24 anos, e Guto Zorello, de 25, não imagina que a dupla está unida há tanto tempo. Como eles mesmos contam, “se apaixonaram loucamente ainda no colegial e namoram há 8 anos. Nesse meio tempo, eles se apaixonaram em igual medida pelo mundo e aproveitam de toda a sua cumplicidade para juntos buscarem formas alternativas de fazer… tudo! Pelo bem do mundo e todos os seres que o habitam, nasceu essa “expedição pelo Brasil em busca de alternativas inteligentes para esse mundo tão doido”. Entre todos os projetos que planejam acompanhar, está uma vontade em comum: tornar mais justa a sociedade em que vivemos. Participar de um sistema que em vez de degradar, seja construtivo e colaborativo.

Guto e Vivine
“ Vivemos um momento urgente. A gente não sabe mais fazer nada. Não sabemos plantar, não sabemos comer, não sabemos conversar…”

Para chegar a este nível de consciência sobre o nosso contexto no mundo, o casal percorreu um caminho longo e bonito de desconstrução – diária. Do colegial cursado em um ótimo colégio de São Paulo, passando a faculdade de Administração da Viviane e a de Artes Visuais do Guto, até a vida em uma Fiorino adaptada com cozinha e barraca, foram muitas referências, mudanças e cursos.

O despertar aconteceu enquanto Guto fazia intercâmbio na Itália. Teve contato com outros estudantes, de áreas como arquitetura, que passaram a compartilhar com eles conhecimentos e, principalmente documentários, que abriram os horizontes. Alguns dos títulos que eles destacam são “Zietgeist”, “The century of the self”, “Cowspiracy” e “Muito além do peso”.

Estes documentários trouxeram informações até então desconhecidas: deles e do público geral. Várias coisas incríveis e com imenso potencial transformador estavam sendo feitas e ninguém sabia. Diversas alternativas que poderiam tornar nossas vidas melhores e com impacto social negativo reduzido. Nada disso ganhava espaço nas conversas. As iniciativas não se conectavam. Eles sentiram que precisavam fazer algo a respeito.

Porquen
 Como torná-las mais conhecidas? E ainda melhor, como criar uma rede onde iniciativas que possuam sinergia possam se unir, colaborar e compartilhar aprendizados?

Começaram a fazer cursos em busca de conhecimento, lá fizeram novas amizades e conexões, além de aprenderem coisas que não são faladas na grande mídia. Quanto mais informação, mais inquietação.

Moradores de São Paulo, resolveram se mudar para o interior, em Mococa, onde tinham mais espaço para aplicar individual e coletivamente o que aprenderam nos cursos e documentários e que queriam viver. Tinham horta, se tornaram vegetarianos, passaram a usar apenas cosméticos naturais e pararam de tomar remédios. Tudo para viver sua ideologia em todos os aspectos: “Todos nós cometemos erros sistêmicos, mas é possível vivermos de forma mais ética e sustentável.”

Fizeram curso de Negócios Sociais na ESPM, pensando em formas de transformar em ação a vontade de fazer. Conheceram muitas pessoas e empreendedores sociais. Para chegar ao formato do PorQueNão? foram dois anos de ideação e pesquisa. Pegaram a estrada bem preparados.

Há pouco menos de 2 meses na estrada, já encontraram no caminho pessoas muito diferentes entre si, o que gera uma grande desconstrução. Outra vantagem incomparavel de de embarcar de cabeça é a oportunidade de viver níveis profundos de consciência: “ao ter um conhecimento holístico e integral, a criação e pontes é facilitada”, afirma Guto. “Na correria do dia a dia, a gente não percebe os ritmos da natureza e isso faz com que a gente se desconecte da gente mesmo. Por isso a gente precisa se cuidar, olhar mais pra gente mesmo e se perceber como parte de um todo, perceber essa dança”, completa.

Fiorino

A barraca que fica sobre o carro que o casal usa para viajar, até agora, foi usada poucas vezes. A receptividade é muito grande. Em todo o lugar alguém abre a casa para recebê-los. Isso faz com que eles tenham ainda mais certeza que os maus exemplos são minoria. Só que infelizmente ainda insistimos em olhar mais para eles.

Até agora o projeto que eles destacam fica em Barra do Turvo, no estado de São Paulo: a Cooperafloresta, cooperativa formada por 100 famílias espalhadas por todo o Vale do Ribeira. Além de produzirem de forma sustentável alimentos orgânicos e agroflorestais, abrigam o Centro de Envolvimento Agroflorestal Felipe Moreira, que têm uma proposta de turismo sustentável e integrado às boas práticas. Viviane e Guto ficaram surpresos ao descobrir que recebem muito mais pessoas de fora do Brasil do que do nosso próprio país. Daí a importância de falarmos sobre isso em âmbito nacional e tornamos conhecidas estas iniciativas.

O processo exigiu uma desconstrução da identidade, novos hábitos e abrir mão de privilégios e conforto que gera impacto. A visibilidade faz com quem antes criticava as escolhas, agora apoiem. “A gente é viciado em tudo o que a gente faz. Então, a gente tem que escolher fazer coisas boas.”

Mas valeu a pena: “agora estamos vivendo um sonho que é nosso, mas não só nosso. Um sonho de muitos que já passaram por essa Terra e muitos que agora vivem. Um sonho de um lugar melhor, mais justo, mais belo e fraterno. Um lugar que impere o amor.

Pq

Eles passaram aqui pelo escritório Social Good Brasil no início desse mês e plantaram uma sementinha na gente. Deixe que eles plantem uma em você também! Fica o convite para acompanhar a jornada pelo site e redes sociais do projeto PorQueNão? e veja como todos podem ajudar a tornar melhores o nosso mundo e a sociedade em que vivemos.

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