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31
ago

#SGBPocket: Da ideia ao negócio de alto impacto, o caso da Geekie

Por: Mariel Ramos

A proposta do keynote speaker, Claudio Sassaki, foi fazer um papo de empreendedor para empreendedor. O CEO da Geekie, pioneira no ensino adaptativo no Brasil, falou sobre as dores e as delícias de empreender com impacto. Se empreender já é desafiador, empreender com uma causa como educação é um desafio maior ainda. Para ter persistência, é necessário muita motivação. E no caso de Sassaki, a motivação veio com seus filhos.

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Ainda que os três – e o quarto que está a caminho – tenham acesso a educação e boas perspectivas de ser bem sucedido na vida, não é assim para todo mundo.

Segundo Sassaki, a cada dois estudantes, apenas um termina o ensino médio. Dos que terminam, apenas 10% sabe o básico em português e matemárica. A cada 10 pessoas assassinadas no mundo, uma é brasileira – e isso não é coincidência. A educação deficitária não prepara os jovens para conseguirem um emprego decente, o que na ponta pode se traduzir em criminalidade.

Ele concluiu que não adiantaria cuidar só dos próprios filhos. Teria que ajudar a garantir um mundo melhor para eles viverem: “Resolvi não ficar só esperando o governo. Resolvi largar minha carreira no mercado financeiro para fazer algo com mais sentido. As coisas só vão mudar no dia que os mais pobres tiverem as mesmas oportunidades educacionais que os mais ricos”, afirma.

O impacto da educação

A diferença de oportunidades não é apenas social. É, também, cultural e ligada a diferentes formas de aprendizado. Existem pessoas geniais que não se encaixam nos modelos. Como a nossa escola, com ensino padronizado que privilegia um tipo de inteligência, está preparada para atender a estas diferentes demandas?

“Eu duvido que alguém mandaria o filho pra um hospital do século XIX, mas continuamos mandando nossas crianças para a escola do século XIX.” Para Claudio, é mais importante aprender a aprender do que decorar o conteúdo: “Mais do que dar uma educação que permita que as pessoas encontrem seu emprego dos sonhos, dar uma educação que permita que as pessoas criem o trabalho dos sonhos deles”.

Ele identificou a necessidade personalizar o ensino em grande escala e que isso só seria possível através da tecnologia. A Geekie criou uma inteligencia para identificar como cada pessoa aprende cada disciplina, quais são os pontos que precisam de mais atenção e como isso vai mudando e evoluindo ao longo do tempo. Algorítimos de inteligência artificial reúnem dados a cada interação com a plataforma permite que o programa aprenda como cada pessoa aprende e assim desenha um caminho: uma sequência de conteúdos e materiais que otimiza o processo de aprendizagem para cada aluno de forma sistemática.

Para Sassaki, o segredo para empreender começa pelo time: cada um dos envolvidos é decisivo para o sucesso, e quanto mais diversidade, mais inovação. A Geekie começou com uma equipe de sete pessoas. A estrutura precisava permitir o processo de inovação: que se buscasse soluções criativas e que permitisse que se errasse rápido. Errar? Para alguém que havia trabalhado em banco era difícil lidar com a frustração e aceitar o erro como parte da evolução do negócio: “Foi aí que eu vi que o que eu estava tentando construir ia exigir que eu me desconstruísse”.

Sonhar grande, mas com foco definido

Para ele, sonhar grande é importante, mas o foco é o principal. Encontrar seu público e seu nicho, professores de educação básica e ensino médio foi transformacional. Fez com que a Geekie evoluísse para uma empresa “obcecada pela jornada do cliente”. É necessário conhecer quem usa, para que não se corra o risco de criar produtos pensando em como a gente gostaria que a realidade fosse e não como ela realmente é.

Não se pode confundir o sonho com o modelo de negócio. O mito de que não se pode ganhar dinheiro com educação precisa acabar. É possível e necessário criar recursos próprios, fazer o próprio negócio crescer a atrair as pessoas, recompensar seus funcionários para que eles não precisem escolher entre trabalhar por uma causa ou ganhar dinheiro. Fazer com que os dois aconteçam.

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Para atingir a escala e o impacto desejado – de levar as mesmas oportunidades para os mais pobres e os mais ricos -, não seria suficiente vender para qualquer escola. Precisavam encontrar entrada junto ao governo para atuar nas escolas públicas. A entrada não foi fácil. Até vencer este desafio, a Geekie criou seu modelo de negócios e vendeu a ferramenta para escolas particulares.

Ninguém resolve os problemas sozinho

A aproximação do governo veio com o apoio de uma rede. O ecossistema formado por parceiros nos setores de financiamento, investimento, comunicação, pesquisa, fomento, pesquisa, impacto e escala foi essencial para o nascimento da Hora do Enem – finalmente uma parceria da Geekie com o Ministério da Educação que disponibiliza gratuitamente as funcionalidades da plataforma para qualquer aluno do terceirão do Brasil possa estudar. Já são 4 milhões de alunos cadastrados… E crescendo em escala e impacto!

Claudio Sassaki é um dos personagens do longa-metragem Em Frente, filme coproduzido pelo Social Good Brasil que está em fase de pós-produção. Confira o teaser (que por problemas técnicos não foi passado no evento). E aguarde para acompanhar de perto o dia a dia desses 4 empreendedores sociais super inspiradores! 😀

 


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