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24
nov

EALIS e SGB: uma caminhada de aprendizados sobre acessibilidade e inclusão

Por: Cintya

Esse ano, os desafios para a educação de surdos foi o assunto da redação do ENEM, pautando vários veículos de comunicação sobre a importância da acessibilidade. Mas pensar sobre acessibilidade e inclusão é mais muito mais do que um assunto do momento: é necessidade urgente.  No painel sobre inclusão de pessoas com deficiência na tecnologia no último Festival SGB, contamos com a presença da Michelle Frasson, Data Quality da Neoway. Ela, que é cega, brincou com o público sobre a palavra  ‘acessibilidade’: “Não deveria se chamar assim, porque dá a ideia de que é pra deficiente. Acessibilidade é permitir que todos possam usar, desde a criança de 2 anos até o cara de 80… e inclusive eu”.

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Tornar um local, produto ou empresa mais acessível pode beneficiar muito mais do que apenas as pessoas com deficiência. Uma legenda pode ser importante se você precisa ver um vídeo em uma sala em silêncio, ou um local pensado para cadeirantes também será melhor para idosos com dificuldade de locomoção ou pais e mães com carrinhos de bebê. Um produto acessível é sempre melhor, pois poderá ser consumido por mais gente.

Mas investir em ampliar a acessibilidade não é um processo simples. O SGB olha para a diversidade como um aspecto fundamental da inovação social. Temos buscado trabalhar para promover mais inclusão em nossos programas e eventos, mas sabemos que ainda precisamos evoluir muito. Não temos pessoas com deficiência em nossa equipe executiva, e precisamos de ajuda para adaptar nossa metodologia às necessidades das pessoas que não se comunicam da mesma forma que nós.

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Durante este ano, nosso maior aprendizado aqui no SGB foi com a comunidade surda. Em edições anteriores do SGB Lab, nosso programa que ajuda empreendedores sociais a transformarem ideias em negócios,  já havíamos apoiado iniciativas de apoio a surdos, como a Signa, o Surdo para Surdo e o Handtalk. Mas nunca tínhamos recebido participantes surdos efetivamente do programa, como líderes de uma iniciativa. Neste ano, recebemos dois: a Sabrina Lage, do Mamãe Surda, e o Alexandre Bet, do Signeed.  

A metodologia do Lab funciona assim: são quatro encontros de quatro dias cada, distribuídos ao longo de quatro meses. Os encontros presenciais são imersivos e cheios de conteúdo. Entre as imersões, os participantes aplicam as ferramentas e o conteúdo que aprenderam com o SGB na prática, além de acompanhar vários webinários e mentorias oferecidas à distância.

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Como adaptar todo esse conteúdo para que o Alexandre e a Sabrina pudessem entender tudo sem problemas? Pedindo ajuda para quem entende do assunto, claro! O SGB contou com o apoio a EALIS – Equipe de Acessibilidade em Língua de Sinais para adaptar tudo com muito carinho.

A equipe da EALIS é especialista em adaptar comunicação de eventos e facilitações do português para Libras. Durante todo o período do Lab eles colaboraram com a gente para traduzir os encontros presenciais e também as atividades online. Durante os encontros, a Thuanny e a Patrícia se revezavam para traduzir tudo com muito carinho e atenção. No primeiro encontro, em junho, foi incrível perceber a interação das duas com a Sabrina e o Alexandre e o todo o grupo. O trabalho da EALIS é focado em transmitir o conteúdo da melhor maneira possível, claro, mas também fica visível uma preocupação com a integração e o acolhimento dos surdos em todos os sentidos.

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Além do apoio no LAB, a equipe do EALIS também tornou possível a tradução do Festival SGB para os 23 surdos presentes, além de quem estava acompanhando online.. Também nos ajudaram a encontrar voluntários fluentes em Libras para traduzir as rodas de conversa e workshops do evento e receber os participantes surdos por aqui.

Este post é um agradecimento à EALIS por todo o apoio durante o ano <3

Mas também é um texto para você refletir sobre a acessibilidade do seu ambiente de trabalho, dos eventos que participa, do conteúdo que produz, etc.  Pedir ajuda é fundamental! Colaborar é a melhor forma de aprender e aumentar a inclusão e a  diversidade.

Chame a EALIS para te ajudar a chegar junto com a comunidade surda!


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