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23
maio

Quando foi que o tempo parou de ser seu?

Por: Bruna Pires

*Por Bruna Neto, voluntária no Festival SGB de 2016

Sair de casa cedinho, tomar o café da manhã correndo (ou não tomar), entrar no carro, ficar pelo menos uma hora na fila, chegar na empresa bater o ponto e começar a trabalhar. Sentar na frente do computador, ler os e-mails e enfim, começar a trabalhar.

Oito horas depois, volta para a casa, o cansaço te toma e só o que você pensa é na comida e em ver mais um episódio da sua série preferida no Netflix, antes de dormir.

Se isso ainda é uma realidade na sua vida e você, assim como eu, fica pensando que essa conta não fecha, te convido para esta leitura.

A conversa que encerrou o Festival Social Good Brasil neste ano tinha o objetivo principal, propor a reflexão sobre o futuro do trabalho, propósito e flexibilidade.

Os convidados para participar do encontro foram três empreendedores que enxergam a inovação de forma muito orgânica:

Amanda Segnini, uma das fundadoras do projeto Engajamundo,  ONG que incentiva e capacita jovens brasileiros a participarem de negociações internacionais;
Henrique Bussacos, fundou o Impact Hub, um espaço que fomenta o empreendedorismo e fomenta a discussão da tecnologia “Oferecemos espaços e serviços para que pessoas com ideias inovadoras possam acelerar seus negócios, realizar conexões, produzir e compartilhar conhecimento”;
Jean Rosier, que atualmente é sócio e educador na Perestroika, autodenominada como a “Pior escola do mundo”.

Apresentados os participantes, a missão da mediadora, Carolina de Andrade, diretora-executiva do Social Good Brasil, era a de guiar uma conversa que fluia leve como as novas formas de trabalho propostas.

Dentre os assuntos no roteiro, o papo começa pela inquietação do jovem de hoje: que busca pelo propósito do momento em que acorda, até a hora de fechar os olhos. O horário fixo para trabalhar já não é mais segurança e pode até se tornar um limitador para criação.

A forma de reportar também muda, a figura do chefe não casa mais com o que se acredita atualmente. A lógica é simples: se você trabalha por propósito e sem limitações de horários, faz sentido a hierarquia? O que se busca é liderança e gestão de expectativas. Assim se desenham as relações no universo de quem inova.

Por fim, em tempos de reinvenção dos modelos de trabalho, é preciso enfrentar a burocracia da formalização e leis trabalhistas que passam as organizações. Diferente disso, talentos se perdem no caminho.

Nas perguntas sobre este caminho que, obviamente, não tem volta, os participantes compartilharam um conceito que já é realidade em outros países, mas que chega no Brasil com o desafio de abrir novas discussões nas relações de trabalho.

Conheça o conceito da Holocracia!

Se pesquisar o significado da palavra, você vai encontrar:
“A Holacracia (Holocracia ou Holacracy) é uma tecnologia social (ou um sistema de governança organizacional) onde a autoridade e a tomada de decisão são distribuídas em uma holarquia de grupos auto-organizados.”

Fonte: http://www.holacraciabrasil.com

Para quem vive a holocracia na prática, simplifica: “Você não agrega a pessoa ao grupo para um trabalho específico, mas sim por suas habilidades, pois uma pessoa tem múltiplas competências”, diz Henrique. Para Jean, é uma nova forma de gestão: “começamos a enxergar a lógica de lideranças circunstanciais. Isso empodera a pessoa e ajuda o organismo a crescer.”
Amanda reforça que este tipo de responsabilidade muda a perspectiva do jovem, que hoje tem o papel de inovar não só na carreira, mas na vida: “é uma busca por identificação.”

Por fim, fica a questão de o que se faz necessário para que o sistema de holocracia funcione?

Responsabilidade – afinal, adotar por este tipo de gestão é assumir uma série de papéis e desempenhá-los com afinco e busca no resultado;
Contexto – as empresas precisam olhar a pessoa por inteiro e entender que ela é capaz de realizar determinadas funções em determinado contexto;
Aceitar os erros – descentralizar é assumir que problemas podem acontecer neste percurso e quando eles acontecem, é preciso buscar as soluções para os problemas e não encontrar um culpado;
Desacelerar – toda mudança toma tempo. Por isso, as organizações precisam de um tempo para se habituar aos diferentes processos.
Decisões – na holocracia um dos desafios pode ser a tomada de decisões. Quando a estrutura é mais enxuta, fica mais fácil decidir. O importante neste processo é: quando a decisão for feita, que seja em comum acordo, pois assim os envolvidos se apropriam do que foi definido e o processo flui de forma orgânica.
Técnica do aconselhamento – uma ferramenta para a tomada de decisão bastante usada quando uma pessoa acredita em uma ideia. Funciona de forma simples: para confirmar ou refutar sua tese, é preciso consultar duas pessoas: uma que será impactada diretamente com a nova proposta e uma especialista no assunto. De acordo com os feedbacks, a pessoa toma a decisão e passa a aplicar a ideia.

Por fim, a conclusão da conversa com os participantes é que este é um momento em que não existe mais a máxima do separar trabalho e vida pessoal. Por isso, é tão importante sentir-se satisfeito com o que cada um atua dentro das organizações.

As pessoas são agentes das próprias vidas e é preciso relembrá-las disso!

Ficou afim de participar de um papo como esse? Fique ligado nas novidades do Festival SGB deste ano 🙂


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