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19
jul

Usando colaboração para aplicar Big Data pelo bem social

Por: Ilana Cardial

Nem todas as organizações sem fins lucrativos têm um time para avaliar dados. Para realmente atrelar big data ao bem social, nós precisamos de colaboração entre indivíduos, dentro das organizações e através dos setores.

*Por Jake Porway

Nos dias de hoje, é difícil fugir da agitação em torno de “big data”. Nós lemos artigos sobre como o Vale do Silício está usando dados para orientar tudo – do tráfego em sites a carros autônomos. Nós ouvimos oradores em conferências do setor social falarem sobre como organizações sem fins lucrativos podem maximizar seu impacto alavancando novas fontes de informação digital, como dados de mídias sociais, dados abertos e imagens de satélites.

Desbravar esse mundo pode ser desafiador, nós sabemos. Criar uma organização orientada por dados pode exigir grandes mudanças na cultura e no processo. Algumas organizações, como a Crisis Text Line e a Watsi, começaram corajosamente construindo suas próprias equipes de ciência de dados. Mas, para muitas outras organizações que questionam como usar dados para avançar em sua missão da melhor forma, nós descobrimos que um ingrediente funciona melhor que qualquer outro software ou tecnologia que você pode usar em um problema:ba colaboração.

Como uma organização sem fins lucrativos dedicada a aplicar a ciência dos dados para o bem social, a DataKind executou mais de 200 projetos em colaboração com outras organizações mundiais através da conexão entre elas e times de cientistas de dados voluntários. O que as mais bem sucedidas têm em comum? Colaboração forte em três níveis: com experts em ciência de dados, dentro da própria organização e em todo o setor sem fins lucrativos no geral.

 

  1. Colabore com os experts em ciência de dados para definir seu projeto.

    Como dizemos com frequência, encontrar problemas pode ser mais difícil do que encontrar soluções. Se sua organização é nova na ciência de dados, pode ser complicado saber o que pedir quando você não tem certeza do que sequer é possível. Trabalhar com os cientistas de dados e experts em tecnologia é essencial para você descobrir e articular suas necessidades. Comece com a questão que você quer responder, e não com os dados. Apesar de ser tentador começar lançando um grande número de dados ao tecnólogo e pedindo para aplicá-los, você pode ir mais longe e mais rápido se primeiro definir seus objetivos finais. Ajude os cientistas de dados com quem você está trabalhando a entenderem as prioridades estratégicas da sua organização, e só então descubra como os dados podem te ajudar a chegar lá.

 

  1. Colabore em toda sua organização para “construir com, não para”.

    Nossos projetos seguem os princípios de projetos centrados nas pessoas e a filosofia pioneira no mundo da tecnologia cívica de “projete com, não para”. Antes de você sequer pensar sobre quais dados você precisa para responder a pergunta na qual está focado, tenha certeza de que conta com as pessoas certas. Com frequência, projetos de dados de organizações sem fins lucrativos estão inseridos nas equipes de avaliação. Enquanto aquele pessoal deve sem dúvidas liderar ou estar envolvidos naquelas iniciativas, o conhecimento sobre como a organização usa dados e algoritmos precisa permear todos os níveis da gestão. Frequentemente, vemos um projeto com alto potencial escondido em um departamento que tem que defendê-lo ferozmente, muitas vezes em vão. O sucesso de um projeto depende de colaboração intensa em toda a organização para assegurar que o trabalho é uma prioridade, e projetado para as pessoas que farão seu uso no final. Tenha a gerência sênior envolvida desde o princípio, assim como os usuários finais da solução. Considere primeiro construir um protótipo ou prova do conceito como uma maneira de ilustrar o poder do trabalho e animar seus colegas a participarem desde o começo.

 

  1. Colabore em todo seu setor para mover a agulha.

    Muitas organizações pensam sobre construir soluções baseadas em dados para um único desafio que enfrentam, como prever o melhor local para seu próximo escritório. Entretanto ,a maioria de nós está lutando por causas comuns, divididas com muitos outros grupos. Aí está uma ótima oportunidade para as organizações trabalharem juntas para ampliar seu impacto coletivo. Por exemplo, nós temos visto nossos parceiros na área sem fins lucrativos compartilhar dados e conhecimentos especializados em áreas problemáticas, replicar e reorientar as soluções de dados de cada um, e inspirar um ao outro sobre novas formas de abordagem e caminhos para atrelar o poder de dados ao bem social. Trabalhando juntos, podemos aprender um com o outro, construir e melhorar trabalhos antigos, e finalmente mover juntos a agulha em problemas sociais duros.

 

Se você está buscando usar dados e algoritmos em sua organização sem fins lucrativos, não se engane focando na tecnologia em si ou assustando-se por não saber como começar. Como um de nossos heróis – o ex-cientista de dados dos EUA, DJ Patil – disse uma vez, “A ciência de dados é um esporte coletivo”. Ninguém se compromete com uma jornada pela ciência de dados sozinho. Se você trabalha com o DataKind ou outra organização, comece por contactar os tecnólogos com quem você pode estabelecer uma parceria. Uma vez que eles te ajudem a identificar seu objetivo final, ganhe buy-in em sua organização para priorizar o trabalho. E, assim que a solução seja desenvolvida, não esqueça de colaborar com as organizações de pares, de modo a não criar rodas e todos crescerem mais fortes juntos.

 

Focando em construir colaborações intensas nesses três níveis – com experts em dados, na sua própria organização, e por todo o setor – você irá parar de apenas falar sobre big data e começar a usá-lo para causar um grande impacto.

 

Stanford Social InnovationArtigo traduzido da Stanford Social Innovation Review.

 


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