6 passos para uma Teoria de Mudança e mais impacto social em seu projeto

O que vem primeiro: solução ou problema? Ainda que antecipar demandas do mercado possa ser válido na hora de criar um negócio inovador, para start-ups, empresas e organizações que propõem serem sociais, ter uma  ampla compreensão do problema que se busca resolver e da realidade em que deseja intervir (e mudar para melhor) deve estar entre os primeiros passos a serem tomados pelo empreendedor e pela equipe.

Se empreendemos, é para transformar algo, para oferecer novas soluções. Mas como saber se a transformação proposta ou se as soluções inovadores realmente estão resolvendo o problema?

Para compreender o caminho existente entre o problema real, as soluções encontradas, e o que isto trará em médio/longo prazos,, existe a Teoria de Mudança: uma forma de utilizar evidências para articular as relações entre as necessidades do público da sua iniciativa, os serviços prestados e os resultados atingidos.

 

A Teoria de Mudança

É a ferramenta ideal para analisar as relações causa-efeito, esclarecer os pressupostos embutidos nestas relações, identificar e testar as intervenções específicas necessárias para atingir os resultados desejados. Se realizarmos uma ação, uma mudança vai acontecer. Mas será, realmente, a mudança que queremos ver?
A resposta para esta pergunta passa por uma ampla compreensão do problema e as necessidades que ele gera, qual o contexto dele e das pessoas envolvidas. Para isso, muita pesquisa, entrevista e estudo para conhecer as premissas e evidências ligadas às quatro dimensões envolvidas do seu negócio, projeto ou organização social: atividades, resultados, objetivos e impacto, que podem ser sistematizados em um Marco Lógico, por exemplo.

Como fazer isso? Explicamos a seguir, com um resumo dos conteúdos apresentados nos encontros presenciais do SGB Lab por facilitadoras como Bárbara Basso, coordenadora do programa, e Morgana Krieger, que profissional que atua no campo social há mais de 15 anos.

 

Teoria de Mudança passo a passo

 

  1. Defina o problema central que deseja ajudar a resolver.

Parece fácil? Pense de novo. Mais do que pensar, escute e observe as necessidades das pessoas. Existem alguns tipos de necessidades que podem ajudar a guiar a sua reflexão:

  • Necessidade sentida – As pessoas da comunidade sentem falta de algo, pedem um atendimento ou serviço específico.
  • Necessidade expressa – As pessoas da comunidade se mobilizam de alguma forma para buscar este serviço (listas de espera, protestos, abaixo assinados, etc).
  • Necessidade normativa – Existe um dado do que seria ideal para uma determinada comunidade e a realidade não condiz com ele.
  • Necessidade comparativa – Existem dados comparativos que demonstram que a situação está complicada.

Conseguiu identificar as necessidades? Um fator importante para verificar que você está trabalhando com um problema central é quando você consegue fazer a triangulação. Isto é, quando pelo menos três das necessidades acima apontam para o mesmo problema.

Definiu o problema? Se sim, siga em frente. Caso ainda não tenha sido possível, pesquise mais, busque mais pessoas para entrevistar e locais para observar.

 

  1. Identifique causas e consequências do problema central.

Geralmente enfrentamos dificuldades em pensar separadamente as causas e consequências. Desafie-se. Escreva individualmente cada um deles em post-its. Este processo pode (e deve) ser feito em grupo, para aumentar o número de insights.

 

  1. Monte uma árvore de problemas

Não, problemas não dão em árvore. É só uma forma de organizar as causas e consequências. As causas ficam no lugar das “raízes”. O “tronco” é o problema e as “folhas” são as consequências.

Um exemplo:

Caso membros diferentes do grupo tenham escrito causas ou consequências iguais ou muito semelhantes, as ideias devem ser compiladas em apenas um post it (se os autores concordarem, claro).

É possível fazer algo semelhante com o seu objetivo, tendo as ações na “raiz”, o objetivo no “tronco”e o impacto nas “folhas”.

Desta forma:

  1. Faça ligações estratégicas

Não perca de vista quais causas se relacionam com cada consequência (assim como cada ação se relaciona com o impacto). Faça ligações com barbante ou caneta. Desta forma é possível determinar a melhor rota de intervenção.

 

  1. Busque informações

Busque evidências que comprovem a relevância das causas e consequências para o problema. Assim como da ação e do impacto com o objetivo.

A busca por evidências pode ser em pesquisas primárias, como entrevistas em profundidade, grupos focais, observação; e/ou secundárias, como dados de grandes institutos de pesquisa, trabalhos acadêmicos e experiências de outras organizações. É o momento de reunir dados para comprovar o tamanho e a relevância do problema, além de começar a pensar em métricas de sucesso.

 

  1. Sistematize as informações

A Matriz de Marco Lógico é uma ferramenta utilizada para estabelecer a lógica dos projetos sociais, tornando mais fácil elaborar, executar e avaliar o sucesso de um projeto nas mais diversas etapas. A ferramenta leva em consideração impacto, objetivos, resultados e atividades. Estas quatro dimensões estão nas linhas da matriz.

Já nas colunas, entram para cada uma delas a descrição, um resumo dos objetivos e das atividades; indicadores, que são resultados específicos a serem alcançados; meios de verificação, que registram onde e como serão coletadas as informações sobre os indicadores; e os pressupostos, hipóteses sobre fatores externos que podem atrapalhar as metas.

 

A lógica é a seguinte: se as atividades forem realizadas, então resultados serão produzidos. Se houverem resultados, os objetivos se cumprirão. Se os objetivos forem cumpridos, o impacto será gerado. Tudo isso deve ser devidamente mensurado, para que se tenha real noção do impacto e para uma maior compreensão caso os objetivos não se cumpram.

Confira um exemplo:

Para aproveitar bem os benefícios desta ferramenta, é necessário conhecer profundamente o projeto e o contexto. Por isso, não pule etapas e capriche em todos os passos. 🙂

 

Tenha sempre em mente:

  1. Relevância do contexto e compreensão do problema
  2. Delimitação e sequenciamento das atividades, resultados, objetivos e impacto
  3. Levantamento das premissas e hipóteses
  4. Evidências e mensuração
  5. Processo de diálogo e aprendizado constante
  6. Definir, melhorar ou corrigir rota de intervenção

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