Case Lab Inovação na Cadeia de Moda: otimização, redução de custos e menos desperdício – conheça a Modellagio

Otimizar processos, reduzir custos com software e desperdício. Em indústrias como a da Moda, nem sempre fica clara para quem consome a complexidade dos processos. A etapa de modelagem, por exemplo, que é decisiva para o caimento das roupas que você veste e o melhor aproveitamento do tecido por quem costura, é um exemplo disso.

Para intervir sobre um problema e criar uma realidade mais sustentável, é preciso um conhecimento profundo das etapas de produção. Coisa que não falta aos empreendedores da Modellagio, terceiro colocados no Lab Inovação da Cadeia de Moda, realizado pelo Social Good Brasil em parceria com o Instituto C&A.

 

Viver a dor para identificar o problema

Foram quatro meses de imersão para formatar a iniciativa com o apoio de mentores voluntários da C&A e metodologias para inovação, mas a história da Modellagio começa há três anos atrás. Em 2014, quando ainda era estudante de Moda, Tamara Larissa Perlin foi indicada pelo SENAI do Paraná para ajudar pequenas e médias confecções a digitalizarem a etapa de modelagem fazendo o uso do software líder de mercado, que possui um custo alto e exige ainda o investimento em uma impressora específica. Ao mesmo tempo que os menores não conseguem ter acesso ao software, um erro na modelagem feita manualmente pode colocar tudo a perder.

A demanda era tão grande, que a Larissa não dava conta. Como seria possível dar mais autonomia para esses players menores mantendo os benefícios de um processo digital?

Seria necessário criar uma nova solução de baixo custo e para isso ela, especialista em modelagem, recorreu a Alby Azevedo, especialista em tecnologia. Com esta união de forças pensaram em criar um software em formato freemium, que poderia apoiar tanto os alunos e professores de moda quanto as pequenas e médias confecções. A eles, se uniu Luiz Gaspar, um experiente especialista em software.

A ideia agradou não só os profissionais da área, mas também programas de aceleração de start-ups como NAVE, da Universidade Estácio de Sá, o Founder Institute, Startup Farm, SESI/SENAI Inovação, além do Ashoka ChangeMakers/Instituto C&A. Este último acabou levando os empreendedores ao Lab Inovação na Cadeia de Moda, de onde veio muito aprendizado e um investimento semente para ajudar a viabilizar a iniciativa.

 

Os aprendizados do SGB Lab 

“O SGB Lab foi a iniciativa que desconstruiu e reconstruiu nossa ideia”, afirmam os empreendedores. Durante os meses de imersão, desenvolveram o aplicativo gratuito Drappi: uma ferramenta inovadora que digitaliza as modelagens produzidas manualmente, algo que complementa a solução da Modellagio e que tem o potencial de mudar a fase inicial do processo de produção de moda.  

“Por si só o DRAPPI já é uma iniciativa inédita para as pequenas e médias confecções. Pode, de imediato, levar as modelagens (hoje feitas em papéis e penduradas nas paredes ou guardadas em gavetas ou armários) para um lugar muito mais funcional: o armazenamento em nuvem”, contam. Segundo eles, isso abre novas oportunidades, pois os modelos não se perdem e é possível ter acesso remoto às coleções.

 

Mais do que metodologias, pessoas

Além do conteúdo, o Lab Inovação na Cadeia de Moda foi um grande catalizador de encontros. Com tantas iniciativas no mesmo tema, nasceu uma (ainda) pequena cadeia cheia de propósito e potencial de ação.

A sinergia entre as iniciativas e seus empreendedores, já rende planos para novos projetos: uma coleção aproveitando a expertise de cada um dos participantes. “Temos a ideia de começar no Lab Fashion, de Fabio Uhehara em São Paulo. Pensamos em colocar nosso sistema integrado com um designer criando um modelo em nosso fashion cad, imprimindo, costurando e usando insumos do Banco de Tecidos para fazer uma coleção”. O que também poderia ser escalado para outras regiões do Brasil aproveitando a rede formada durante o Lab Inovação na Cadeia de Moda.

Além disso, a Modellagio ganhou uma embaixadora: Heloisa Santos, da iniciativa Viver de Costura, que promete divulgar o software nas universidades.

 

Um programa de mentoria que faz a diferença

Durante o Lab, os empreendedores tiveram um apoio essencial dos mentores Leonardo Fonseca e Heverton Moares, funcionários experientes da C&A que por meio de um programa do Instituto C&A doaram horas do seu dia para ajudar a Modellagio tomar decisões estratégicas e enfrentar desafios: “A ajuda deles foi primordial em todas as validações com nossos stakeholders, posicionamento de marca, desenvolvimento de produto, orientações sobre estratégias de penetração no mercado, consultoria tecnológica entre diversos outros pontos”, afirmam.

A grande dúvida ainda era em relação aos clientes. Partindo de uma visão acadêmica, faltava um feedback da indústria. Coisa que os mentores fizeram e ainda estão fazendo: “Por incrível que pareça, foi principalmente o Heverton, diretor de tecnologia na C&A, que nos mostrou que deveríamos ter o cliente como foco e que a tecnologia deveria vir apenas como ferramenta”, comentam. “Já o Leo, que é o sourcing manager e conhece todos os setores, nos fez ver a importância dos documentos que a gente faz, de usar tabelas, comparar, identificar os nossos stakeholders e como poderíamos ajudá-los”.

E não foi apenas a expertise que fez diferença, mas a disponibilidade dos voluntários: “a disposição e entusiasmos deles em querer continuar conosco, por grupo de whatsapp, mídias sociais, email e telefone, foi muito importante. Para nós, os nossos mentores mudaram tudo. Eles nos abraçaram e nos fizeram acreditar que somos uma iniciativa que pode mudar a cadeia de moda”.

 

O futuro da Modellagio

O final do processo do Lab é, antes de mais nada, o grande começo de uma jornada de impacto. A plataforma da Modellagio está em pleno desenvolvimento, com algumas funcionalidades já na fase de validação e testes. Receberam aporte financeiro do Instituto C&A por meio do Investimento Semente do Lab Inovação na Cadeia de Moda e também foram contemplados no SESI/SENAI Inovação.

Agora a intenção é fincar bandeira em São Paulo, para ficar perto dos stakeholders do negócio, trabalhar nas validações para lançar os softwares no mercado e entrar em contato com investidores e pessoas que possam apoiar a iniciativa das mais diversas formas. Em abril, a empresa deve ser levada para Europa, onde toda a base do sistema será instalada.