O que é impacto social, como gerá-lo e porque ele vem em primeiro lugar

O denominador comum de todas as organizações, start-ups, projetos e negócios sociais é a capacidade de impactar de forma positiva a realidade das pessoas que utilizam seus serviços ou produtos. Para essas iniciativas, propósito e impacto vêm antes de qualquer coisa. Por isso, o modelo de impacto deve vir antes mesmo do modelo de negócio, pois a forma que o negócio vai operar deve ser guiada pelo seu poder de transformação. Mas o que pode ser considerado impacto social?

É o efeito de uma ação a médio ou longo prazo, que leve a desenvolvimento ou melhora social, uma transformação que deve ser mensurável. O Social Good Brasil considera o conceito de pobreza criado Amartya Sen, segundo o qual pobreza não é definida apenas pelo poder econômico e renda, mas pelo acesso a serviços básicos de educação, saúde, saneamento e moradia de qualidade. Por isso, iniciativas podem gerar impacto social em quatro dimensões:

  • Acesso: Soluções que reduzam a assimetria de informação entre classes sociais e facilitem o acesso serviços básicos, como educação, saúde, saneamento e moradia, reduzindo assim as desigualdades sociais.
  • Autonomia: Iniciativas de jornalismo independente ou que aproxime as pessoas dos meios de produção, como projetos relacionados a cultura maker. Também está relacionada a acessibilidade de pessoas com deficiência, com tecnologias que permitam viver de forma mais independente.
  • Transparência: Disponibilidade de informações para todos que possam se interessar, para que possam ter mais participação cidadã e tomar melhores decisões coletivas. Transparência também permite transformar big data em good data, tornando ações sociais mais relevantes e assertivas.
  • Escala: Permite levar uma solução para cada vez mais pessoas, tanto por sua replicabilidade quanto pela abrangência. Soluções de baixo custo ou campanhas que atingem milhares de pessoas com o uso da tecnologia são exemplos disso.

Os encontros presenciais e desafios do SGB Lab apoiam empreendedores chegar lá. Com base nos conteúdos do programa, preparamos algumas dicas para ajudar você a compreender melhor o seu impacto e criar uma solução eficaz.

 

Entendendo o problema

Você precisa entender o problema a partir do ponto de vista do seu beneficiário ou cliente. Afinal, a solução deve ser centrada em que vai utilizá-la. O Design Thinking é a ferramenta ideal para você conhecer profundamente o público-alvo. Veja mais detalhes sobre a metodologia.

E para começar a pensar em uma solução, crie perguntas no estilo “nós podemos”. Por exemplo: “Como nós podemos… garantir que os alunos de escolas públicas tenham o conhecimento esperado em Português e Matemática?”

 

Justificando o problema

Entre todos os problemas sociais e desafios encontrados pelas pessoas, porque você escolheu esse? É importante saber porque ele é importante, qual é a sua relevância, quantas pessoas afeta direta e indiretamente.

Para isso, você pode usar fontes de dado primárias – como entrevistas e observação – e secundárias – pesquisas acadêmicas, dados de institutos de pesquisa, etc.

 

Prototipando a solução

A melhor ferramenta para guiar a criação do seu protótipo é o MVP (Minimum Viable Product), o mínimo produto viável. Um protótipo deve servir para você testar se a solução que deseja criar está adequada, usando o mínimo de recursos. 

Até chegar na versão final, o ideal é que você passe por vários ciclos de desenvolvimento. Crie o protótipo, colha feedback dos usuários, melhore seu protótipo, pegue feedback de novo, melhore de novo… Os feedbacks são os mais positivos possíveis? Não há nada a melhorar? Você estará pronto para a solução final.

 

Descrevendo a solução

A fórmula é simples: o que você vai fazer, como vai usar a tecnologia e como vai gerar impacto.

[Nome da sua Empresa ] oferece [descreva seu produto ou serviço] que [tem o seguinte diferencial]

Parece fácil preencher as lacunas, não é mesmo? Porém, para chegar a este ponto de forma acertada, é necessário passar por todos os anteriores. Afinal, você precisa conhecer muito bem o problema que o seu produto ou serviço soluciona e quais os diferenciais que você oferece para o público em relação a outras possíveis soluções que já estão na rua.

 

Definindo uma Teoria de Mudança

Depois de chegar à descrição, é necessário traçar o caminho da ação até o impacto. Uma forma de sistematizar estas informações é através da Teoria de Mudança, que relaciona atividades, resultados, objetivos e impacto de uma forma lógica e encadeada. Veja mais detalhes sobre esta metodologia.>>

 

Métricas de negócio vs. Métricas de impacto

Assim como um modelo de negócio é diferente do modelo de impacto, as métricas que guiam a mensuração do seu sucesso em cada um também são diferentes.

 

Métricas de negócio quantificam o que você faz, mas não necessariamente o impacto na vida das pessoas. Por exemplo:

– Número de pessoas treinadas

– Número de produtos vendidos

– Números de pessoas assinando o serviço

 

Já as métricas de impacto quantificam o impacto real na vida das pessoas. Por exemplo:

– Número de pessoas com aumento de renda

– Redução na taxa de doenças respiratórias

– Aumento nos índices educacionais das escolas atendidas

 

No empreendedorismo social é importante pensar em ambas, até porque muitas vezes elas estão interligadas: quanto mais produtos você distribuir, mais pessoas serão impactadas pela solução. Porém, como adiantamos no início deste texto, a sua missão vem primeiro. Foco no impacto e mão à obra!