PICs: conheça as Práticas Integrativas e Complementares do SUS e saiba como usá-las para cuidar da sua saúde mental


Começamos o mês de janeiro com a pergunta: como você está cuidando da sua saúde mental? Como parceiros do Instituto Janeiro Branco e do Grupo Mulheres do Brasil com a campanha Janeiro Branco SGB, apoiamos as pessoas com dados e evidências sobre o problema social que estamos enfrentando, mas também apresentamos soluções para apoiar as pessoas a cuidarem da saúde mental. Para ampliar os recursos terapêuticos, queremos compartilhar com vocês as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICs) como uma sugestão para continuar a rotina de cuidados de Janeiro a Janeiro.

As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), denominadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como medicinas tradicionais e complementares, foram institucionalizadas no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC), em maio de 2006. Ano passado, inclusive, as PICs foram incluídas como diretriz terapêutica no relatório de protocolos clínicos do Ministério da Saúde, um documento que visa garantir o melhor cuidado de saúde diante do contexto brasileiro e os recursos disponíveis no SUS.

O Brasil é referência mundial no campo das MTCI no que diz respeito à inserção destas práticas no sistema público de saúde. As experiências brasileiras são citadas em relatórios da OMS que, desde 1970, incentiva os países membros a implementarem políticas na área das medicinas tradicionais e complementares (MTC)


O que são as PICs – Práticas Integrativas e Complementares 


As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde são terapias embasadas no olhar para o ser humano como um todo, considerando não só aspectos físicos – como uma dor de cabeça, por exemplo, mas também o que pode estar gerando aquela dor: características emocionais, sociais e psíquicas. São recursos que buscam a prevenção das doenças e a recuperação da saúde a partir do autocuidado, dando ênfase também à escuta acolhedora e ao desenvolvimento de vínculo terapêutico entre a pessoa atendida e o profissional de saúde.

Algumas práticas são milenares e conhecidas no mundo todo, como o yoga ou a ayurveda. Outras têm origem nos saberes tradicionais, como o uso de plantas medicinais e a fitoterapia.

No site do Ministério da Saúde tem mais informações, assim como a lista completa de práticas que pode ser oferecida nos pontos da Rede de Atenção à Saúde de sua cidade, especialmente na Atenção Primária. Uma das diretrizes da PNPIC é a integração ao modelo convencional de cuidado, trazendo um olhar e atuação amplos para complementar o diagnóstico, a avaliação e o cuidado das pessoas.


As 29 Práticas Integrativas e Complementares oferecidas pelo SUS


Para conhecer todas as práticas e o que elas significam, acesse aqui a página no site do Ministério da Saúde com a lista de todas as PICs. Tem até um glossário criado em conjunto pelas equipes de Coordenação Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (CNPICS) e da Coordenação-Geral de Documentação e Informação (CGDI/SAA/SE).

O Glossário Temático: Práticas Integrativas e Complementares em Saúde reúne as principais palavras e termos usados na linguagem do campo de atuação de cada área.


Os dados e o cenário sobre as Práticas Integrativas e Complementares no Brasil


Segundo informações no site do Ministério da Saúde, cabe ao gestor de cada município elaborar as normas para inserção da PNPIC na rede municipal de saúde e definir o orçamento para a implementação das PICs. 

Ou seja, cada cidade é responsável pela contratação dos profissionais de saúde e definir quais práticas integrativas e complementares serão ofertadas. 

Para criar um serviço de PICS no estabelecimento de saúde, basta se cadastrar no SCNES pelo “Serviço de classificação 134 – Práticas Integrativas e Complementares”.

De acordo com relatório de monitoramento nacional das PICs, dados de 2018 sugerem que as PICs estiveram presentes em 16.007 serviços de saúde do SUS, sendo 14.508 (90%) da Atenção Primária à Saúde (APS), distribuídos em 4.159 municípios (74%) – APS e média e alta complexidade – e em todas das capitais (100%). 

Já parciais para o ano de 2019, as PICS estiveram presentes em 17.335 serviços de saúde do SUS, sendo 15.603 (90%) da Atenção Primária à Saúde (APS), distribuídos em 4.296 municípios (77%) – APS e média e alta complexidade – e em todas das capitais (100%). 

O relatório aponta, ainda, que no período de 2017 a 2019, de 41.952 unidades básicas de saúde em funcionamento no SUS, 37% ofertavam as PICS, o que representa 15.603 estabelecimentos. Entre os Estados que tiveram um crescimento, estão:


  • São Paulo (mais 491 unidades) 
  • Minas Gerais (411 unidades)
  • Rio Grande do Sul (mais 272 unidades)
  • Paraná (180 unidades), 
  • Rio de Janeiro (mais 138 unidades)
  • Santa Catarina (mais de 121 unidades)

Práticas Integrativas e Complementares mais buscadas no SUS

Um vídeo de 2018 mostra o impacto dos atendimentos com as práticas integrativas e complementares do SUS. Conheça algumas histórias do PSF Lago Oeste Sobradinho, no Distrito Federal. Nele, a enfermeira de Saúde da Família Marli Maia fala sobre a importância das PICs como um complemento ao tratamento com medicamentos e o fortalecimento do autocuidado.

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Na época, 18 procedimentos eram ofertados. Atualmente, a lista contempla 29 PICs. Evidências científicas apontam os benefícios do tratamento integrado entre a medicina convencional e as práticas integrativas e complementares. O Observatório Nacional de Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde (ObservaPICs) abrigado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-RJ) reúne diversas experiências e estudos. Com apoio do Ministério da Saúde, conta com a parceria da Biblioteca Virtual em Saúde em Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas, com uma ampla produção científica sobre as 29 práticas do SUS, instituídas pelo Ministério da Saúde e muitas outras. A biblioteca facilita o acesso à informação científica e técnica sobre o tema, estimulando também a colaboração e o fortalecimento de novas pesquisas.

Em 2020, uma pesquisa coordenada pelo Icit em parceria com o ObservaPICs e da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Unifase) denominada PICCovid ouviu 12.531 brasileiros sobre uso de PICS durante pandemia. Considerado o maior estudo realizado sobre as PICs no Brasil, por meio de um questionário online, busca contribuir para o fortalecimento da rede trazendo à luz evidências sobre padrões de utilização das diferentes práticas como yoga, meditação e plantas medicinais.

Cada vez mais pessoas buscam se profissionalizar nessas áreas. Alguns cursos gratuitos são oferecidos pelo SUS, acesse aqui.


Coletivos que fortalecem a oferta das PICs no SUS


Múltiplos atores da sociedade atuam para fortalecer a oferta das PICS no SUS. Uma delas é a RedePICs Brasil, uma rede colaborativa formada por atores e entidades representativas das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). 

Em sua carta de princípios, você poderá conhecer a missão e objetivos da rede, como a defesa das PNICs. Fundada no Brasil em novembro de 2015, a Rede Nacional de Atores Sociais em PICS (RedePICS Brasil) é um coletivo em prol das PICs que tem a perspectiva de promover diversas possibilidades de articulações entre os mesmos. Entre as instituições estão várias Universidades Federais, como o Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Núcleo de Medicina e Práticas Integrativas da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Veja a lista completa de instituições da Rede PICs aqui.

Ainda no site da Rede PICs você encontra mais informações sobre as práticas oferecidas no SUS, assim como o manual de implementação. Clique aqui para ver! E para os gestores do SUS, também foi criado um boletim evidências, com experiências, reflexões conceituais e resultados de pesquisas que ajudam a atualizar sobre a PICs.

Já nesta webaula, Henriqueta Tereza do Sacramento, ativista, médica e Mestre em Políticas Públicas e Desenvolvimento Local (EMESCAM) fala sobre “PICS no SUS em tempos de pandemia – E eu com isso?”. 

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Na Pandemia surgiram iniciativas de ofertas das PICS na modalidade online 


Os atendimentos das PICs acontecem em vários lugares do país. Na maioria dos locais, é necessário apresentar a carteira de identidade, CPF, comprovante de residência e o cartão do Sistema Único de Saúde (SUS). Ou seja, para mais informações sobre os atendimentos, as pessoas devem procurar a Unidade de Saúde mais próxima da sua casa.

Na cidade de Rio das Ostras, em 2020, foi ampliado o acesso às Práticas Integrativas e Complementares (PICs). Com o projeto “PICS ao Alcance de Todos”, o município, que já oferecia atendimentos de alguns recursos terapêuticos como homeopatia ou auriculoterapia (suspensas durante a pandemia), começou a oferecer outras ferramentas no formato online como dança, reiki e arteterapia.

No Recife, alguns atendimentos voltaram a acontecer presencialmente em 2021, com agendamento prévio. Atendimentos como acupuntura, nutrição, osteopatia e reiki são oferecidos pela Secretaria de Saúde em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Em João Pessoa, existem três Centros de Práticas Integrativas e Complementares (CPICS). Para ter acesso aos recursos terapêuticos, a pessoa deve ter sido encaminhada pela Unidade de Saúde da Família (USF) ou ir diretamente ao local. 


Esse texto fez sentido pra você?

No Social Good Brasil nosso papel é estimular o uso das tecnologias e dados para o bem. Com esse artigo, nossa intenção foi informar as pessoas sobre o que são as PICs – Práticas Integrativas e Complementares oferecidas pelo SUS, a partir também de dados e evidências sobre os benefícios destes recursos terapêuticos. Atuamos para fortalecer a rede que já atua em prol do fortalecimento das PICs no SUS. 

De Janeiro a Janeiro iremos em busca de informações para apoiar as pessoas a ler, analisar e compreender dados que impactam em suas vidas, mas também oferecendo soluções para apoiá-las a cuidar da saúde mental. Esse é o propósito da campanha #janeirobrancosgb. Vamos juntos? Continue essa conversa nos dizendo o que achou do texto ou enviando para alguém que pode se beneficiar.


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1 comentário

  1. Boa tarde!
    Sim é muito bom ter vários canais importantes e de confiança falando sobre a importância das PICs na saúde mental.
    Trabalho com Reiki e sei o quanto este trabalho contribui para a saúde e diminuir os efeitos do estresse na vida das pessoas.
    Parabéns pelo trabalho que vocês vem realizando.

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