4 projetos de incentivo ao empreendedorismo negro que você precisa conhecer

Todos os dias é preciso lembrar que a desigualdade, em nosso país, tem cor. Por isso, vamos analisar dados que reforçam a importância do empreendedorismo negro no Brasil.

De acordo com o IBGE, a renda média do trabalho de negros e negras no Brasil – 54% da nossa população – é de R$ 1.663, enquanto o salário dos brancos, de R$ 2.884.

Buscar a igualdade salarial é um fator determinante para o crescimento econômico da população negra no Brasil. Por isso, conheça esses 4 projetos de incentivo a empreendedores negros.

Qual a importância do empreendedorismo negro?

O empreendedorismo negro surge da necessidade de um empoderamento e busca pela igualdade. Mas para entender essa questão  é preciso ver mais a fundo.

Um dos motivos da perpetuação da segregação social no Brasil é o racismo. Diferente do que muitos pensam, racismo é diferente de preconceito. A discriminação racial é uma manutenção da hierarquia de privilégios de brancos perante negros.

Exemplos disso não faltam. Um deles é a Câmara de Deputados que tem somente 24,2% de parlamentares não brancos, enquanto em 2019, os negros representaram 77% das vítimas de homicídios no Brasil, segundo dados do Ipea.

Nos espaços de incentivo ao empreendedorismo e ao protagonismo na sociedade, a representatividade também é pouca e o discurso é geralmente voltado ao homem branco. “Aquilo que vocês chamam de empreendedorismo, a periferia sempre chamou de sobrevivência”, conta Monique Evelle, no Festival Social Good Brasil 2016.

Ter o próprio negócio é visto como símbolo de liberdade e independência, mas precisamos lembrar que nem todos começam a corrida do mesmo ponto de partida. Para se ter uma ideia, a taxa de analfabetismo de negros, 8,9%, é mais que do o dobro do índice da população branca, de 3,6%, segundo o IBGE.

Esses números mostram que ainda falta muito para chegarmos a igualdade, mas eles também nos ajudam a tomar melhores decisões para o futuro. Investir em educação, por exemplo, é fundamental para ter um impacto social positivo.

Números do empreendedorismo negro no Brasil

As diferenças não param por aí, mesmo os profissionais que escolhem atuar no empreendedorismo negro, precisam vencer mais obstáculos.

No Brasil, os afroempreendedores começam a trabalhar antes dos 18 anos e têm muito menos oportunidades de receber investimentos para desenvolverem suas ideias e empresas. Contudo, para mudar esse cenário, pessoas e organizações desenvolveram iniciativas que expandem as possibilidades da população negra na inovação.

Os dados que vamos ver a seguir são todos da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2020, realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ).

O estudo mostra que 62,3% dos adultos pretos e pardos sonham em ser donos do próprio negócio. Um dos motivos para isso é o empreendedorismo por necessidade. Já que 53,3% dos empreendedores pretos e pardos com até 3,5 anos de negócio, empreenderam por necessidade, contra 47% dos empreendedores brancos.

Além disso, os afroempreendedores empregam mais que os empreendedores brancos. E 7 em cada 10 investem para mudar o mundo.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre o empreendedorismo negro, está na hora de conhecer alguns projetos que foram desenvolvidos com ideia de promover impacto social.

Aqui listamos quatro projetos incríveis em nossa sociedade:

Vale do Dendê: 

Com o tema “nosso silício é o dendê”, a organização baiana Vale do Dendê é uma holding social destinada a fomentar ecossistemas de inovação e criatividade com foco em diversidade. Atuando especialmente no fomento ao ecossistema de Salvador, Bahia, o grupo vem desenvolvendo ações em três pilares:

  • Investindo em negócios de impacto social e econômico por meio da Aceleradora Vale do Dendê;
  • Formando talentos criativos por meio da Vale do Dendê Academy;
  • Prestando serviços para órgãos públicos e privados por meio de uma consultoria de estratégia.

Eles também foram os criadores da Ocupação Afro Futurista, em Salvador, para fomentar a criatividade e o empreendedorismo negro da população baiana.

O criador da Vale do Dendê, Paulo Rogério Nunes, é considerado pela organização MIPAD ligada a ONU como um dos 100 afrodescendentes mais influentes do mundo. Ele palestrou no Festival SGB 2018 sobre o tema “comunidades”. Assista: https://www.youtube.com/watch?v=S84WoHaZQw8

O Movimento Black Money tem como objetivo estimular o desenvolvimento do empreendedorismo negro para jovens. Com foco em comunicação, educação e mídias, a organização produz conteúdos nas áreas de inovação, tecnologia e finanças; além de ofertar cursos de curta duração nas áreas de marketing, gestão e tecnologia.

A comunidade de eventos e networking do Movimento Black Money se chama Start Black Up (SBU). O SBU são eventos para empreendedores e profissionais que desejam começar ou melhorar seus negócios (Start), dentro de uma pauta identitária (Black) com a finalidade de juntar talentos, formar network e incentivar a conexão com investidores que auxiliem a ignição de novos empreendimentos (Up).

A fundadora do Movimento Black Money, Nina Silva, é reconhecida como uma das 50 profissionais de tecnologia mais influenciadoras do Brasil. Confira a palestra de Nina Silva no Festival Social Good Brasil 2018: https://www.youtube.com/watch?v=mR_BghDLg4c

O Instituto Feira Preta faz o mapeamento do empreendedorismo negro no Brasil. Como aceleradoras e incubadoras de negócios negros em diferentes segmentos, articulam o black money e promovem a educação empreendedora.

As atividades do Instituto estão distribuídas em todo o território brasileiro. Adriana Barbosa, fundadora do Instituto Feira Preta, recebeu o prêmio do MIPAD por estar entre os 51 negros com menos de 40 anos mais influentes do mundo em 2017.

A Adriana participou do Festival Social Good Brasil 2017. Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=heXKrhK3Gr8

A Desabafo Social é uma organização que utiliza a comunicação e novas tecnologias para promover Educação em Direitos humanos através de formação e produção de conteúdo. Através do projeto Fazedores BR, vinculado ao Desabafo Social, busca-se promover uma imersão em Direitos Humanos e Produção de Mídias.

A Monique Evelle participou do Festival Social Good Brasil 2016 para contar que existe (muito!) empreendedorismo fora da bolha. Ela também contou sobre sua experiência de montar o Desabafo Social: https://www.youtube.com/watch?v=nM-CnPPgQaM

E não é só isso, a educação em dados é uma das profissões do futuro! Quem for fluente nesse idioma estará um passo à frente no mercado de trabalho.

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