4 competências de uma organização sem fins lucrativos orientada por dados

As organizações de todo o mundo estão cada vez mais “data-driven”, ou seja, tendo suas decisões tomadas com base na interpretação e uso de dados. Já chamados de “o novo petróleo”, os dados fazem com que as empresas errem menos em suas estratégias, expandam seus resultados e façam previsões acertadas sobre seus negócios. Com eles, pessoas físicas ou jurídicas têm elementos que as auxiliam a conhecerem seus público-alvos, indicando quais as direções e esforços necessários nas estratégias.

No entanto, o uso de dados não é nem deve ser exclusivo do primeiro e segundo setor. Já escrevemos aqui no site um texto sobre o Data for Good e como a orientação por dados pode expandir resultados de iniciativas de impacto social positivo. Acredita-se que, em dez anos, todos estarão utilizando dados em seus negócios, inclusive as organizações sem fins lucrativos. Mas, antes de tudo, é necessário desenvolver uma cultura e postura frente a captação e uso de dados, entender seu propósito na organização e ter objetivos definidos para eles.

Trazemos um exemplo de dentro de casa:

O Social Good Brasil é uma organização sem fins lucrativos data-driven. Mesmo com uma equipe pequena, temos um dos maiores festivais brasileiros de incentivo e apoio ao uso de tecnologias em iniciativas sociais. Os dados são nossos grandes companheiros nesse processo. Os algoritmos desenvolvidos por nossa equipe de dados acompanham as aquisições de ingresso em tempo real, o perfil das pessoas que se inscrevem e até podem prever, com base em históricos anteriores, quantas das que se inscreveram não virão para o evento.

Para fazer isso, tivemos que aprimorar muito as maneiras de captação e as informações coletadas nos últimos festivais. Montamos a estratégia focando em alguns objetivos: ter assertividade nas campanhas de marketing, conseguir diversidade entre o público e distribuir todos os ingressos do evento recebendo doações espontâneas.  

Ter a habilidade de coletar, analisar e comunicar informações proveniente dos dados é fundamental. Mas, para transformar sua organização sem fins lucrativos em data-driven é necessário planejar. A seguir, saiba quais são as competências necessárias para fazer um plano de ação e tornar-se data-driven.

Ter clareza de quais dados coletar e como coletar

É extremamente importante identificar quais dados irão auxiliar a organização a atingir seus objetivos. Muitas vezes, as informações coletadas são incompletas ou desnecessárias. Busque pedir somente os dados que serão relevantes.

Hoje, existem diversas ferramentas que auxiliam as organizações na captação de dados, além de bases abertas para a sociedade, proveniente dos governos e das instituições de pesquisa. Softwares que gerenciam formulários, questionários e métricas podem ser uma boa ideia para a captação de dados.

Escolher um bom método de análise de dados

Os dados podem estar divididos em três categorias:

  • Dados quantitativos, como números e quantidades;
  • Dados categóricos, como estratos, dados de diversas categorias;
  • Dados qualitativos, que estão focados em características não numéricas.

Existem várias formas em que os dados podem ser analisados. As técnicas estatísticas são as que mais podem contribuir para verificar informações e reinterpretar observações qualitativas, permitindo conclusões mais objetivas. Os softwares para a análise de dados também vêm se tornando acessíveis e essenciais para o trabalho de análise de dados.

É bom compreender que a análise dos dados, em si, não tem como objetivo a obtenção de resultados. Ela aparece para descrever ou a teorizar sobre o material coletado, abrindo um espaço de descoberta e diálogo.

Saber como comunicar os dados e as informações geradas

A comunicação de informações dos dados inclui falar, escrever e visualizar. Por isso, é importante desenhar um modelo em que, para cada informação relevante, uma história e/ou um gráfico represente os valores. Afinal, os dados também podem ser considerados narrativas, e os cientistas de dados, storytellers (contadores de histórias).

Além da orientação interna, as informações geradas servem para as organizações sem fins lucrativas como uma estratégia de transparência e trabalho coletivo, aumentando a credibilidade com a sociedade e inserindo a comunidade nos resultados.

Capacidade de trazer a informação gerada para a tomada de decisão

Dados são códigos, e a análise deles constitui uma informação. O aprofundamento da análise dos dados que servirão para a tomada de decisões de impacto e refinamento de metodologias. Para as organizações sem fins lucrativos, é interessante a fixação de metas, pautadas nos dados, e do uso dos dashboards nos planejamentos. Procure consultar as informações que a organização possui antes de campanhas de marketing, abertura de programas e ações e planejamentos anuais.

Se sua organização se interessa em receber uma capacitação sobre o uso de dados em iniciativas de impacto social, participe do Laboratório SGB.