Educação em Dados: tudo que você precisa saber para se tornar fluente em dados

educação em dados

Quando falamos sobre educação em dados, qual é a primeira coisa que vem na sua cabeça? Também chamada data literacy, a fluência em dados é uma das competências mais importantes para quem quer estar pronto para o futuro. Não apenas do ponto de vista do mercado de trabalho, mas também porque os dados estão por todos os lados. 

A cada dia, consumimos conteúdos, comparamos produtos, somos impactados por notícias (reais ou não). Ter discernimento para ler, interpretar, analisar e comunicar algo a partir  dessas informações parte do mes

mo princípio que define a alfabetização em dados. Ou seja, essa habilidade não está tão longe assim do nosso cotidiano como muita gente imagina. 

Quer entender melhor o que é educação em dados, por que é importante e como alcançar a fluência nesse idioma? Neste post, reunimos informações fundamentais e dicas que vão te ajudar nesse caminho. Ah, e mesmo que você já tenha algum conhecimento básico sobre o assunto, não se preocupe. Temos também recursos que vão te ajudar a identificar seu grau de fluência em dados. É só continuar lendo!

O que é educação em dados?

De acordo com o artigo Approaches to Building Big Data Literacy, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ser fluente em dados envolve quatro competências:

  • Ler dados, compreendendo quais aspectos estão ali representados;
  • Trabalhar com dados, criando, adquirindo, limpando e gerenciando essas informações;
  • Analisar os dados, filtrando, organizando e comparando os resultados disponíveis;  
  • Argumentar com dados, usando-os para reforçar uma narrativa maior a uma audiência específica. 

Ou seja, a educação em dados trata da capacidade de ler, interpretar, analisar e comunicar com dados de maneira eficiente. Além disso, os autores também trazem aspectos importantes para o debate sobre big data, como é chamado o conjunto de grandes volumes de dados disponíveis por meio da tecnologia. A educação, portanto, deve ir mais fundo. 

Segundo eles, não basta ser capaz de ler, interpretar e criar soluções a partir da ciência de dados. Mas também entender que o uso dessas informações tem um contexto por trás e efeitos concretos na vida das pessoas. 

Por que a educação em dados é importante?

Você já deve ter se deparado com muitas organizações que se dizem “orientadas por dados”. Essa frase virou quase um chavão no meio corporativo. Mas será que essa cultura está realmente incorporada nas equipes? 

De acordo com uma pesquisa da Gartner, consultoria estadunidense especializada em tecnologia, a falta de educação em dados é o segundo maior empecilho para o sucesso desse tipo de estratégia nas empresas. 

O estudo entrevistou diretores de dados (os chamados chief data officers) de todo o mundo, que colocaram a alfabetização em dados entre as principais estratégias para impulsionar o valor do negócio até 2023. E esse movimento não é à toa. Hoje em dia, o uso de dados é praticamente um requisito para empresas que querem reduzir custos e aumentar a qualidade dos seus serviços. 

Tomar decisões mais rápidas e assertivas 

Em um mercado cada vez mais competitivo e cheio de imprevistos,  ser fluente em dados permite decisões mais assertivas. Não é necessário recorrer ao antigo método de tentativa e erro quando você tem dados sólidos em mãos, que dizem qual o melhor caminho a percorrer. 

Antecipar problemas e corrigir erros 

No mesmo sentido, a ciência de dados permite prever problemas futuros, por meio de padrões encontrados e cenários comparativos. Com isso, a empresa pode se antecipar, corrigir o que estiver errado ou, no mínimo, planejar como abordar uma possível crise. 

Atrair e reter clientes

Outro benefício da educação em dados é que essa competência ajuda sua empresa a desenvolver produtos e serviços personalizados para a necessidade dos seus clientes. Além de criar uma estratégia de marketing que conversa de maneira muito mais eficaz com os hábitos e desejos do seu público-alvo. 

Otimizar a performance da equipe

O relatório Lead with Data: How to Drive Data Literacy in the Enterprise, do Data Literacy Project, afirma que 85% das pessoas fluentes em dados dizem que performam bem no trabalho. Enquanto esse número costuma ser de 54% para os profissionais no geral.

Na mesma pesquisa, o projeto identificou que 94% dos entrevistados que utilizam dados no trabalho acreditam que isso os ajuda a fazer suas funções melhor. E 82% acrescentam que a educação em dados garante mais credibilidade no ambiente de trabalho. Ou seja, sua equipe pode ser muito mais produtiva, confiante e eficiente se você investir nesse caminho. 

Alavancar carreira

Até aqui, você viu alguns benefícios da ciência de dados para as empresas. Mas quais os benefícios dessa habilidade para os profissionais individualmente? A lista é grande, mas para resumir, podemos dizer que a educação em dados é uma das competências digitais do futuro

No relatório Futuro do Trabalho, do Fórum Econômico Mundial, habilidades como pensamento crítico e analítico estão entre as mais desejadas no mercado até 2025. Além disso, uma análise da consultoria Robert Half, que trabalha com recursos humanos, estima que profissionais de dados e segurança estejam entre os mais contratados em 2022. 

Mas as vantagens da educação em dados não se restringem a quem pretende trabalhar nessa área específica. Cada vez mais, saber ler, interpretar e comunicar com dados é uma habilidade exigida nas mais diferentes funções. Estudantes, criadores de conteúdo, profissionais autônomos, organizações da sociedade civil e até gestores públicos têm muito a ganhar com essa competência. 

Sem falar que, hoje, a fluência em dados é um importante diferencial. A tendência, contudo, é que se torne algo comum no mercado, como saber inglês ou usar o pacote office. Então não perca tempo!

Como dar os primeiros passos para ser fluente em dados?

As vantagens da educação em dados são bastante atrativas, mas dar os primeiros passos ou até mesmo consolidar essa cultura em uma organização são um desafio. Seja por falta de apoio das lideranças ou porque a equipe ainda não está familiarizada com o conceito, algumas barreiras podem surgir. 

Por isso, listamos a seguir algumas dicas que vão ajudar tanto sua empresa quanto você mesmo, como profissional. 

Para organizações

Faça um diagnóstico

Em primeiro lugar, é importante entender como é a fluência em dados hoje na sua empresa. Ou seja, fazer uma autoavaliação. Existem áreas que já são orientadas por dados? Como elas trabalham? Já existem profissionais capacitados? 

Tudo isso vai permitir identificar quais setores podem ter maiores dificuldades de se ajustar à nova dinâmica. Além de ajudar a medir, no futuro, se os esforços estão dando resultado. 

Escolha áreas prioritárias

Dependendo do tamanho da organização, pode ser difícil oferecer treinamentos e implementar novos processos. Por isso, as lideranças podem escolher áreas prioritárias, nas quais a educação em dados pode ser implementada de maneira mais simples. 

Alguns setores que costumam se adaptar bem ao uso de dados são as equipes de Vendas, Marketing e Produto, mas todas as áreas podem se beneficiar. Afinal, os dados podem ser usados para tomar decisões estratégicas da organização, construir um bom planejamento ou avaliar os rumos financeiros. No caso desses times, deve ser mais fácil encontrar conteúdo e cursos voltados para o uso de dados e os resultados são bastante rápidos. 

Dessa forma, as primeiras áreas podem servir como cases de sucesso para o restante da empresa e os bons resultados incentivam a mudança em outras equipes. 

Construa uma cultura analítica 

Treinamentos e outros programas de educação em dados são muito importantes, mas é no cotidiano que essa habilidade vai realmente mostrar seu diferencial. Ou seja, é necessário que os  dados estejam realmente inseridos na cultura organizacional. 

Para isso, processos bem definidos são fundamentais. É preciso que os dados estejam no centro da tomada de decisões e sejam consultados com frequência, não apenas de vez em quando. No mesmo sentido, é importante que sua organização seja transparente, com dados disponíveis para todos os profissionais que necessitem deles. 

Comece pelas lideranças

Falando nisso, é muito importante que os times sejam inspirados por seus líderes na hora de implementar a educação em dados. A diretoria e os gestores precisam ter certeza que ao pensamento analítico e a tomada de decisões orientadas por dados são um bom caminho para levar essa cultura data-driven adiante. 

Além disso, ter um diretor responsável pela tarefa (o Chief Data Officer, ou CDO) pode ser uma boa ideia. Ou pelo menos um cientista de dados na equipe, para orientar as mudanças necessárias e apoiar as áreas a identificarem os dados já existentes e a melhor forma de usá-los para o futuro da organização. 

Incentive o desenvolvimento

Por último, uma cultura analítica precisa incentivar que as pessoas estejam sempre se desenvolvendo. Não basta exigir que todos sejam fluentes de um dia para o outro. Mesmo os profissionais que já tem familiaridade com o mundo dos dados (seja a coleta ou análise) precisam de atualização constante. 

Então inclua o tema sempre que possível nos planos de desenvolvimento individual de cada colaborador. Ao mesmo tempo, promova trocas entre times, incentive iniciativas internas de estudo e valorize aqueles que estão dedicados ao assunto. 

Para profissionais

Até aqui, mostramos como as organizações, tanto empresas quanto outras instituições, podem promover a educação em dados. Mas o que fazer para dar os primeiros passos individualmente e alavancar sua carreira? Independente da área em que você atua, algumas ações podem ajudar.

Busque cursos e oficinas 

Hoje em dia, existem ótimas opções de webséries, cursos online que vão exigir apenas algumas horas de dedicação por semana. Oficinas práticas também são uma boa ideia e costumam ter aplicação direta no trabalho que você já faz. 

O mais importante é escolher cursos completos, com profissionais que são referência no mercado e instituições de ensino que realmente vão agregar ao seu currículo. 

Consuma conteúdos complementares 

Consumir conteúdos sobre educação em dados também é importante para se familiarizar com os conceitos. Estatística, por exemplo, é algo que a maioria das pessoas conhece apenas de forma superficial. 

Por isso, é importante fazer leituras complementares que vão garantir a bagagem que você precisa para ser capaz não só de entender os dados, mas também interpretá-los e se comunicar com eles. Alguns livros que podem te ajudar incluem:

  • Data smart: usando Data Science para transformar informação em insight (John W. Foreman);
  • Estatística: O que é, para que serve, como funciona (Charles Wheelan);
  • Data science para negócios: O que você precisa saber sobre mineração de dados e pensamento analítico de dados (Foster Provost e Tom Fawcett)
  • Storytelling com dados: Um guia sobre visualização de dados para profissionais de negócios (Cole Nussbaumer Knaflic)

Além disso, seguir nas redes sociais profissionais ou trabalham diretamente com ciência de dados como Silvio Meira ou Ricardo Cappra vai te inspirar a seguir estudando. Assim como pode te ajudar a encontrar novas referências. 

Inspire-se em casos de sucesso 

Inclusive, outra boa ideia é buscar cases de sucesso para estudar e se inspirar. Você encontra esse tipo de conteúdo nas redes sociais, em eventos e em blogs especializados como o do SGB. 

Depois, é só prestar atenção nas metodologias aplicadas, quais dados foram extraídos e que tipo de análise foi feita. Com isso, é possível entender quais modificações podem ser feitas para aplicar a mesma técnica nos seus desafios do dia a dia. Afinal, a educação em dados é pensada para ser aplicada nas mais diversas situações do cotidiano. Sejam elas pessoais, profissionais ou acadêmicas. 

Gostou das dicas que reunimos? Então continue sua jornada em busca dessa habilidade do futuro. Entenda mais do porquê a educação em dados é tão importante para nossas vidas pessoais e profissionais, neste artigo. 

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