SGB 10 anos – Fazendo chegar à escola o que queremos ver lá com Cinthia Rodrigues

“É fundamental diminuir a distância entre o que se fala e o que se faz até o momento em determinado momento a tua fala seja a tua prática”. Essa frase de Paulo Freire foi (e é!) uma das grandes inspirações da empreendedora social Cinthia Rodrigues. Como jornalista da área de educação, na primeira década de 2000 teve a oportunidade de acompanhar muitos bons projetos de pessoas, instituições e governos.

Mas Cinthia sentia que a opinião da sociedade não acompanhava: “A escola pública continuava sendo o ‘Quarto de Despejo” (parafraseando a grande Carolina Maria de Jesus) da educação: o que sobrava para quem não podia pagar a rede particular”, explica. Seus filhos, gêmeos, foram ainda bebês para a escola pública. E ela junto com eles, para os conselhos das escolas por onde passaram. No entanto, achava a instância oficial ainda muito restrita: “Por isso busquei caminhos para que eu – e toda sociedade – pudéssemos participar mais da escola pública“, conta Cinthia.

2015, um marco para as escolas públicas

Em novembro de 2015 as escolas públicas entraram em pauta, quando cerca de 200 escolas de São Paulo foram ocupadas por estudantes que protestavam contra a reestruturação do sistema educacional estadual e em favor da manutenção da qualidade do ensino. De forma organizada, os alunos viveram de maneira comunitariamente e propuseram atividades dentro da estrutura das escolas. Inspiraram alunos de outros estados a também se movimentarem e a própria Cinthia.

Foi neste mesmo ano que ela estava participando do SGB Lab, onde criou o Quero na Escola. O Quero na Escola parte de um site em que estudantes de qualquer escola pública de todo o país dizem o que mais gostariam de aprender além do currículo e pessoas que querem colaborar voluntariamente se disponibilizam para ir até a escola. A equipe do Quero na Escola conversa com o estudante, o voluntário e a gestão escolar e organiza as atividades uma a uma. 

O projeto reduz a distância entre a imagem irreal da escola pública e seu cotidiano para os voluntários. Aumenta a autoestima da comunidade escolar ao ver pessoas que se voluntariam para ajudar. Aumenta a rede de conexões dos estudantes com pessoas que possam ajudá-los ou inspirá-los não só naquela atividade, mas ao longo da vida.

Aprendizados: dentro e fora das escolas

Cinthia conta que com a sua participação no programa do Social Good Brasil, aprendeu a colocar ideias em prática com técnicas que escutem profundamente o público que querem atender: “O Quero na Escola completou 7 anos e ainda fazemos com regularidade o Mapa de Empatia, especialmente quando precisamos fazer novos ajustes por grandes mudanças sociais, como ocorreu nos anos de isolamento por conta da Covid.”

Nestes 7 anos de Quero na Escola, atenderam mais de 25 mil estudantes. Cinthia participou como palestrante do Festival SGB em 2016, ganhou o Prêmio UBS Visionaris, foi finalista do Prêmio Cláudia e multiplicou o seu propósito com muitas entrevistas, inclusive na TV, para  Fátima Bernardes. 

Além de mudanças no primeiro ano e meio, quando o projeto passou por uma institucionalização como associação sem fins lucrativos e o Especial Professor, projeto para professores. Na pandemia, em 2020, deram novos passos: começaram a fazer conexões também online e campanhas específicas para atender estudantes e professores que estavam em casa. 
O Quero na Escola continua ativo nas escolas públicas. E você também pode ser. O projeto aceita a inscrição de voluntários que possam ajudar a atender os pedidos dos estudantes por meio do site.

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