Cases do SGB Lab: Communitor e o uso da a tecnologia para combater o Aedes Aegypti

Dengue. Zika. Chikungunya.

Estas palavras já fazem parte do imaginário do brasileiro, e por mais que campanhas repitam à exaustão os cuidados necessários, como evitar água parada, por exemplo, estas doenças ainda aparecem com frequência nos noticiários e atingem muita gente: em 2016 foram 1 milhão e 300 mil casos prováveis de dengue, 166 mil de Zika Vírus e 38 mil de Chikungunya, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde.

As soluções propostas até o momento não foram suficientes. O que está sendo feito para prevenir de forma efetiva a prevalência destas doenças, que se configuram como um problema de saúde pública?

No edição de 2016 do SGB Lab tivemos o prazer de conhecer um belo exemplo do potencial que a tecnologia possui para monitorar e, consequentemente, coibir a proliferação do mosquito Aedes Aegypti: a Communitor, uma iniciativa que prevê o monitoramento do Aedes por ovitrampas (armadilhas de baixo custo) e contagem de ovos por um algoritmo de visão computacional.

O potencial da iniciativa é tanto, que eles foram selecionados entre os três finalistas do programa uma banca especializada e foram os mais votados pelo público na final, que aconteceu no Festival SGB. O 1o lugar garantiu a eles a maior fatia do investimento semente da edição.

Conversamos com a equipe para compreender a iniciativa empreendedora, que a partir de um problema, a vontade de fazer a diferença e uma tecnologia de baixo custo em mãos, está pronta para impactar de forma positiva a saúde no Brasil. Confira o case e inspire-se:

 

A ideia inicial

Duas necessidades distintas e um processo de amadurecimento e aprendizados foram as raízes para a solução desenvolvida hoje.

A equipe da Communitor trabalha junta desde 2010 no desenvolvimento de sistemas de gestão. O conhecimento em tecnologia e o trabalho com software livre, fez com que circulassem em eventos e programas de start-up.

Em 2015, na Latinoware, conheceram a experiência da Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu no controle de Zoonoses. Eles possuíam uma solução doméstica para o registro e análise dos dados colhidos pelos agentes, porém, o processo era manual – demandava muitas pessoas, era demorado e impreciso.

Surgiu, então, a ideia de automatizar o processo de entrada de dados com dispositivos móveis, carregando as informações direto em um sistema de gestão, gerando mapas e relatórios automaticamente. Parece ótimo, né? No período de validação, facilitado pela participação em eventos de empreendedorismo como Startup Weekend BH, além de pesquisas de mercado, mostrou que não era bem assim.

Várias empresas apresentavam soluções semelhantes, o uso de dispositivos móveis poderia encarecer muito os processos utilizados atualmente pelos municípios e também poderia demandar muito investimento de capital por parte dos empreendedores. Estes fatores os levaram a pivotar a ideia inicial.

 

Pivotar é preciso!

Ao descobrir que a ideia inicial não era viável, eles não pararam. Focados na solução do problema, trataram de buscar oportunidades na área de monitoramento de zoonoses que pudessem ter baixo custo de implementação e ainda não houvesse um número significativo de produtos semelhantes no mercado.

A equipe começou um intenso trabalho de pesquisa em literatura nacional e estrangeira, onde destacam a importância da produção disponibilizada gratuitamente pela Fiocruz (vale conferir), o trabalho da prefeitura de Belo Horizonte no monitoramento do Aedes, além de estudos realizados na França, Cingapura e Estados Unidos.

Chamou atenção a grande eficácia do uso georreferenciado de ovitrampas para a geração de mapas precisos de infestação de mosquitos. Se você também ficou pensando “ovioquê?”, pode ficar tranquilo que eles explicam: “As ovitrampas são armadilhas simples e baratas nas quais as fêmeas de Aedes depositam seus ovos”. A partir da quantidade de ovos recolhidos, é possível determinar o grau de infestação.

Porém, havia um gargalo nesta técnica: como contar os ovos? O processo era executado manualmente, de forma lenta, imprecisa e custosa em termos de mão de obra. Era preciso colocar tecnologia ali para melhorar o processo e foi o que eles fizeram.

 

Ovitrampas + Visão computacional

A solução para automatizar o processo foi o uso de visão computacional. A partir de fotos das palhetas recolhidas das ovitrampas (as armadilhas especializadas), um algoritmo faz a contagem de ovos. O que antes levava 20 minutos, agora leva 3 segundos com mais agilidade e precisão.

Porém, a contagem dos ovos é só o começo. Esta contagem é integrada a sistemas de informação, que geram mapas precisos e imediatos sobre níveis de infestação do mosquito. Estes dados ficam disponíveis no Mapa do Aedes, um projeto que envolve toda a população, que pode acompanhar mapas de infestação de alguns locais pelo site da iniciativa, integrando dados de assistência à saúde e gerando alertas personalizados à população.

 

A participação no SGB Lab

A Communitor já havia participado de outros programas de pré-aceleração antes de chegar ao SGB Lab, então chegaram com a tecnologia e os processos validados, principalmente pelo trabalho no programa Lemonade – Techmall, do qual foram finalistas e receberam o prêmio de melhor equipe.

Porém, segundo a equipe, a ideia de impacto social do projeto foi desenvolvida primordialmente durante a participação no programa do Social Good Brasil: “No SGB Lab testamos tanto a problemática quanto o monitoramento pela visão da população afetada.”

Dentre os testes, validaram que os moradores não apresentam resistência a colocação das armadilhas para monitoramento. Ao contrário, percebem a importância, querem colaborar e tem uma tendência maior a mudar de atitude quando são informadas de modo concreto sobre o grau de infestação na área em que moram, ou seja: “informação direta é mais eficaz do que as campanhas genéricas do tipo “todos contra a dengue”, afirmam.

 

Aceitação da iniciativa, presente e futuro

A Communitor está em estágio avançado de desenvolvimento. Já executou sete projetos pilotos com entes públicos e privados: tanto para a validação do protótipo da solução, quanto com o intuito de aprofundar o entendimento sobre os problemas encontrados pelos gestores no controle das doenças.

No momento estão rodando outros cinco projetos pilotos. O mais longo acabou de completar doze meses de duração (em 15 de fevereiro), e teve por objetivo testar e aprender como os dados de infestação variam ao longo do ano, de acordo com a sazonalidade climática. Outro quer analisar o envolvimento da comunidade, outro é mantido em uma indústria e dois municípios da região metropolitana de Belo Horizonte estão testando os serviços.

Até o momento, a aceitação da comunidade é muito boa: “a população não impõe resistência alguma para a realização do monitoramento, pelo contrário, desejam que continuemos com o trabalho”, contam. “Ademais, o envolvimento das pessoas sempre nos surpreende, nos solicitam mais informações sobre as ações que podem adotar, tornam-se vigilantes uns dos outros em busca de eliminar possíveis focos que venham a surgir nas proximidades de seus lares.”

Como pensar grande e pensar pequeno dá o mesmo trabalho, o plano para o futuro consiste em implantar monitoramento automatizado em todos os municípios brasileiros. Agora estão fazendo um esforço de vendas, começando pelo municípios a um raio de 300 km de BH, com prioridade para aqueles que decretaram situação de emergência na última epidemia de Dengue.

 

“Sempre tivemos a preocupação em fazer a diferença”


A ideia é ótima, a tecnologia desenvolvida é maravilhosa, o projeto é muito inovador.

Mas o impacto social importa, e muito: “Sempre tivemos a preocupação em fazer diferença, por isso buscamos projetos que possam mudar a sociedade e o ambiente em que vivemos e melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas. O projeto Communitor tem nos proporciorcionado exatamente esse sentimento, de poder ajudar e fazer diferença para nossa sociedade. É muito gratificante inovar em um segmento e mais ainda quando essa inovação tem relevância social e na saúde pública”, concluem.

 

Tem uma ideia e quer empreender com impacto? Participe do SGB Lab você também.

Depois de quatro meses de imersão com ritmo e foco, com uma metodologia validada em seis outras turmas, você participa de uma rede de empreendedores que ajudam a validar sua ideia, desenvolve um novo olhar sobre e si e as formas de empreender e sai com clareza do seu modelo de negócio e pronto para a ação.

O Lab é apoiado pela Fundação Telefônica Vivo e Instituto C&A (parceiros master), Engie (parceiro sênior), Pedra Branca (parceiro diamante) e Fundação Affonso Brandão Hennel (parceiro bronze).

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Autora: Bibiana Beck