Caso SGB: como nos tornamos orientados por dados

Desde a semana passada, o Social Good Brasil está com inscrições abertas para a Turma Organizações e Negócios de Impacto do Laboratório SGB. O programa tem como objetivo capacitar empreendedores sociais e organizações que atuam com impacto social através de metodologias de coleta, filtragem, entendimento e tomada de decisões por meio de dados. Ou seja, um laboratório para impulsionar iniciativas que ajudam na solução de problemas socioambientais a aumentarem seu impacto positivo na sociedade por meio de inteligência de dados.

Falar em inteligência de dados parece complexo, mas captar e possuir dados é algo que toda e qualquer iniciativa pode fazer. Afinal, eles nada mais são do que registros e informações soltas, aleatórias, sem qualquer análise, sobre um processo ou um produto. Nos negócios de impacto social, ter a capacidade analítica de transformar dados em informações significa saber mensurar e mostrar seu impacto, saber expandi-lo, ser transparente, realizar cruzamentos inteligentes e traduzir os números para que se tenha as respostas certas para as perguntas certas. Mas como se faz isso?

A fim de explicar melhor sobre o Laboratório SGB e sobre organizações de impacto data-driven, vamos falar sobre nós mesmos: o caso Social Good Brasil.

Em 2018, o Social Good Brasil, que é uma organização sem fins lucrativos e voltada para o impacto social, faz 6 anos de idade. O SGB nasceu com o Seminário Social Good Brasil, que hoje se transformou em nosso querido Festival Social Good Brasil, um dos principais eventos de inspiração para empreendedores sociais do país. Com programas em crescimento e uma equipe de cerca de 15 pessoas, há um ano o SGB possui um time de dados para melhor entender nossas necessidades e tomar decisões mais acertadas (orientadas por dados).

Nossa equipe inicial de dados não contava com nenhum(a) cientista de dados ou estatístico(a). Mas, só de voltar nossa atenção para a estratégia analítica, descobrimos que tínhamos a coleta de muitos dados que não precisávamos e não possuíamos dados fundamentais para superar metas. Para fazermos o melhor Festival SGB da nossa história, atingir as maiores metas anuais e transformar dados em ações, nós usamo cinco passos como ponto de partida. Eles estão descritos a seguir:

 

1) Alinhar a estratégia de dados ao Marco Lógico da organização

É fundamental que as organizações tenham seus modelos de negócio e estratégias de impacto definidas antes de começarem o uso dos dados. As perguntas certas para serem respondidas na análise dos dados surgirão com a compreensão dos objetivos da organização. Por isso, o primeiro passo do time de dados do Social Good Brasil foi revisitar o Marco Lógico da organização.

Vamos apresentar para vocês um pouco do Marco Lógico do Social Good Brasil:

Impacto (Por que existimos) – Potencializar as competências humanas e as tecnologias exponenciais para que mais pessoas e organizações ajam para resolver problemas da sociedade, contribuindo para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Resultados (Como) Inspirar, conectar e capacitar sobre inovação social na prática e tecnologias como ferramentas de autonomia, acesso, transparência e escala para um mundo mais protagonista.

Output (Nossos programas) – Conecta SGB, Fellow SGB, Laboratório SGB e Festival SGB.

Tendo dominado o Marco Lógico da organização, partimos para o próximo passo.

 

2) Saber qual a complexidade de dados a organização pode abraçar

Quais são meus objetivos com o uso dos dados? Quão complexas podem ser minhas análises e quanto eu aceito modificar a cultura da minha organização para deixar de lado a intuição e partir para estatísticas?

Nossa equipe de dados leva em consideração seis níveis de maturidade em relação aos dados que, de maneira crescente em complexidade, podem nos orientar na tomada de decisões. Os níveis são: relatório, análise, monitoramento, previsão, predição e prescrição.

Para explicar de forma mais fácil, definimos seis perguntas importantes, sendo uma de cada complexidade, para serem respondidas com o uso de dados:

Relatório: qual foi o número de pessoas diretamente impactadas pelo SGB neste ano?

Análise: qual é o perfil do público mais engajado?

Monitoramento: como monitoramos em tempo real a interação da rede com o SGB?

Previsão: como podemos prever o engajamento da nossa rede nos programas?

Predição: com o atual orçamento e cronograma, beneficiaremos indiretamente quantas pessoas no final do ano?

Prescrição: se precisarmos alterar o orçamento, qual será nossa nova estratégia?

Quanto mais complexo é o nível e a pergunta, mais valor o dado possui nos processos decisórios:

Créditos: Carol Jenner, Business Intelligence & Analytics Architect na Arbela Technologies

3) Buscar fazer um bom tratamento dos dados

De que valem os dados desconectados, não comparáveis e não organizados? Após compreender a complexidade que a organização pode abraçar em relação ao uso de dados, busque entender como os processos de coleta, limpeza e armazenamento se encaixam no dia a dia da equipe. Desenhar processos gerais dos programas/produtos/serviços que sua organização oferece pode ajudar muito nessa etapa, principalmente quando este “mapa” começar a colocar toda a informação no mesmo lugar, com o mesmo formato.

Dados se tornam relevantes quando “higienizados” (com o mesmo formato), consultáveis e comparáveis ao longo do tempo, o que permite que mais uma etapa seja possível: a etapa de análise dos dados recolhidos.

 

4) Ter toda equipe alinhada e com acesso às informações

Monte um dashboard. Ele é um painel visual que, por meio de gráficos e desenhos, apresenta um conjunto de informações necessários para a tomada de decisões. Ele reúne e organiza, de forma fácil e intuitiva, os dados coletados pela organização, e é acessível para os profissionais de qualquer área. O dashboard do Festival Social Good Brasil 2018 juntou as informações necessárias para responder as perguntas listadas no item 2 e, principalmente, auxiliou a equipe de marketing ao compreender o público que estava realizando a inscrição para o evento.

Os dados utilizados para a criação do dashboard foram obtidos por meio de um formulário simples durante a inscrição dos participantes do Festival SGB. Informações como quantidade de vendas por tempo, perfil dos participantes, estimativa de  painel visual que, por meio de gráficos e desenhos, apresenta um conjunto de informações necessários para a tomada de decisões. participantes presentes e atualizações em tempo real em comparação com as metas eram apresentados nos gráficos. Como os ingressos do Festival SGB são obtidos por meio de doação espontânea, um algoritmo que identificava as quebras de presença entre participantes do evento anterior foi utilizado, e este fazia a previsão dos presentes no dia de acordo com perfil e valor doado.

 

5) Participar de uma rede Data for Good disponível para apoio

Sempre quando surgia alguma dúvida, a equipe de dados do Social Good Brasil buscou parceiros para ajudar a encontrar soluções no uso dos dados. Entre as organizações que nos apoiaram e contribuíram no desenvolvimento da metodologia do Laboratório SGB está a Data Science Brigade, que também irá participar da mentoria do programa. Os participantes do laboratório também entrarão na comunidade do Movimento Data for Good no Brasil (Movimento de Uso de Dados para Impacto) para terem o apoio de outras organizações com foco no impacto socioambiental para a tomada de decisões.

 

Perguntinha extra:

Para participar do Laboratório SGB e/ou ser o líder analítico da minha organização, eu preciso ser um cientista de dados?

Não. O mais importante é que a liderança esteja aberta para possuir um perfil híbrido e total consciência do marco lógico da organização. O líder analítico fica responsável por criar a estratégia de dados e, trabalhando em equipe, um profissional que mais domine a inteligência de dados pode colocar as ações em prática.

As organizações de impacto social positivo não precisam ter uma equipe muito grande nem contratar a licença de softwares sofisticados para acelerarem seu impacto com a orientação de dados. Nas atividades do Laboratório SGB, em sua maioria práticas, os empreendedores terão acesso a ferramentas e iniciarão a organização de sua própria equipe de dados, guiadas pelos dois colaboradores que estarão presentes na imersão presencial em Florianópolis.

Obs. Apesar de o Social Good Brasil coletar dados desde antes de se tornar data-driven, para participar do Laboratório SGB as organizações não precisam ter a coleta de dados estruturada.

 

Sua organização e negócio de impacto também quer ser orientado por dados? O Laboratório SGB irá capacitar sua organização ou seu negócio de impacto na prática para resolver seus problemas a partir de uma metodologia única baseada em ciência de dados e mindset analítico.

 

Conhece algum negócio com perfil para participar? Indique nos comentários!