4 reflexões sobre abundância que ficaram evidentes após a greve

Corrida por gasolina, mensagens alertando a população para estocar alimentos, grandes filas e até brigas para receber combustível. Na semana passada, o comportamento de parte da população diante da greve organizada pela categoria dos caminhoneiros evidenciou muito do que a rede do Social Good Brasil acredita e debate: precisamos de colaboração para viver um mundo de abundância.

A escassez de produtos foi possível de ser vista nas prateleiras. As pessoas, diante da possibilidade da insuficiência de produtos, entraram em conflito. Cada um tentou garantir o seu próprio estoque.

O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) mostrou que entre os dias 23 e 24 de maio, os consumidores correram para os mercados e compraram 23% a mais do que nos mesmos dias da semana anterior. Na sexta-feira, 25/5, com a quantidade de notícias veiculadas e a grande adesão à greve, as vendas cresceram ainda mais: 52%. Tudo isso aconteceu ainda que a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), divulgasse que as redes mantinham um estoque médio de produtos, e que não se deveria ter ansiedade.

Hoje, com os transportes normalizados, o abastecimento de produtos está praticamente 100% como antes. No entanto, o alarmismo da escassez parece continuar. Diante disso, resolvemos compartilhar com vocês reflexões importantes de serem feitas após esse momento de greve. Nossas repostas foram feitas com base nos legados de Oswaldo Oliveira e os ensinamentos de Henry Timms sobre o “Novo Poder”.

Como a tecnologia estimula a colaboração e contribui para abundância?

Nossa reflexão é que o planeta está passando por muitas transformações. Precisamos utilizar os recursos existentes com sabedoria, criatividade e de forma sustentável, como dizia o Oswaldo. A única maneira de reverter o estado de competição é se abrindo para o novo, para ambientes em que todos trabalham conectados e em colaboração. Muitas iniciativas estão fazendo isso. Um exemplo é a “Tem Açúcar?”, uma plataforma de empréstimos e compartilhamento de produtos entre vizinhanças. Outras plataformas mais conhecidas também caminham nessa lógica: Airbnb, Catarse e Fleety. Com criatividade, nós superamos dificuldades. Se a tecnologia estiver atrelada a isso, conseguimos chegar mais longe.

Em quais aspectos da minha vida eu confio na abundância superando meus medos?

Para vivermos em rede, precisamos nos conhecer profundamente. Isso inclui entender o que nos causa medo e como reagimos a ele. O medo é um mecanismo de sobrevivência que vem do nosso lado mais racional. Ele pode ser importante, claro, mas também limita nossas experiências e nosso aprendizado. Sabemos que, apesar da ideia de escassez e competição que nos é passada, vivemos em uma realidade com muito recursos e é fundamental ter informações precisas e múltiplas sobre os fatos. Para isso, busque saber se a notícia que lhe foi passada realmente é verdade ou fake news. Veja se os vídeos e fotos não foram modificados ou estão fora de contexto e data. Existem ferramentas que podem ajudar o usuário a saber se a notícia é falsa: a Anewstip rastreia as notícias relativas aos termos pesquisados, o Youtube Dataviewer ajuda a identificar vídeos originais e a On The Media lançou esse manual aqui que ensina passo a passo a identificação de fake news.

Por que temos que nos unir e buscar a maior diversidade de pessoas em nossas redes?

Cada ser humano é resultado de um conjunto de experiências únicas que cada um vive. E, se, cada experiência é um aprendizado, cada pessoa nova é um universo de potenciais conhecimentos e de possibilidades a serem acessadas. Pessoas com trajetórias e experiências de vida diversas trocando experiências juntas geram abundância de possibilidades — e é aí que aparecem as grandes ideias e os pontos de vista disruptivos e inovadores. Você já ouvir falar sobre o caso da Mercur?

Pessoas juntas formam um sistema integrado, abundante e rico em recursos. Se isso for acionado em forma de rede, os recursos tornam-se infinitos, ao ponto de a gente abraçar uma ótica de abundância e de recursos ilimitados.

Podemos considerar o movimento nas estradas como um exemplo do novo poder?

A tecnologia nos deu a possibilidade de espalhar para um número enorme de pessoas nossas ideias, esperanças e revoltas. Seguindo os ensinamentos de Henry Timms, keynote speaker do Festival SGB 2018, acreditamos que movimentos como os que aconteceram no final de maio são uma amostra do “Novo Poder”: pessoas organizadas em redes com objetivos semelhantes que superam em força os tradicionais detentores do poder. Henry Timms, quando explica sua teoria, usa alguns exemplos para ilustrar isso. Um deles, com impacto positivo, é o caso das mulheres que expuseram o diretor de cinema Harvey Weinstein na campanha #MeToo. Outro exemplo, mas de impacto negativo, é a história de uma jovem escocesa que usou um grupo de conversa online de garotas para recrutá-las ao ISIS.

 

Quer ler mais sobre o tema? Trazemos links com várias visões e dados sobre o papel das tecnologias no movimento:

http://dapp.fgv.br/publicacao/greve-dos-caminhoneiros-o-debate-nas-redes-sociais/

http://piaui.folha.uol.com.br/falta-combinar-no-whatsapp/

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/30/politica/1527703161_738090.html

https://www.cartacapital.com.br/politica/como-o-whatsapp-contribuiu-para-fragmentar-os-caminhoneiros

 

Você identificou algum desses pontos durante a greve? Compartilhe com a gente nos comentários!